Crescimento requer confiança, diz economista

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O Brasil cresce, gera empregos e eleva a renda média dos assalariados. Nosso PIB manteve trajetória de crescimento nos últimos três anos. Segundo o IBGE, foi de 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025.

Semana passada, com viés pessimista, a Folha de S.Paulo publicou manchete dando conta de que cerca de 2/3 dos empregos criados remuneram entre um e dois salários mínimos (teto de R$ 3.242,00).

A Folha vê a árvore, mas não enxerga a floresta. Ou seja, os novos empregos formais recebem também os benefícios das Convenções Coletivas de Trabalho – tíquete-refeição, Participação nos Lucros (PLR), vale-transporte e outros. Todo celetista recebe, além dos 12 salários anuais, mais um salário a título de 13º e 1/3 por Abono de Férias.

Avaliação – O economista Pedro Afonso Gomes falou à Agência Sindical. Membro efetivo do Conselho Federal de Economia, ele destaca os aportes através de investimentos, sobretudo de origem estrangeira.

Segundo Pedro Afonso, “o principal motor da economia de mercado é a confiança”. Ele diz: “Pra investir o empresário precisa ter um nível de confiança razoável nos rumos do País, apoiado na convicção de que a economia seguirá crescendo, sem grandes solavancos”.

Já quem empresta, ou seja, o financiador particular ou público, “só o fará se perceber que será pago pelo tomador do empréstimo”. Quanto ao trabalhador, caso tenha essa mesma percepção, ele consumirá no mercado interno, fazendo girar a roda da economia.

Qualificação – Fala-se muito na falta de formação e de qualificação da mão de obra. Pedro Afonso Gomes comenta: “É certo isso, e eu inclusive critico o Sistema S, sobretudo o Sebrae, que a meu ver falha nessa formação e na atualização profissional dos trabalhadores”.

Mas o empresário também carece de formação. “Ser empregador é muito diferente de ser empregado. Portanto, não basta juntar as verbas rescisórias do antigo emprego com a poupança pessoal e aplicar num negócio”, alerta Pedro Afonso Gomes. Tanto é verdade, que o ciclo de vida da pequena empresa é curto, gerando, muitas vezes, frustração e dívidas.

Estado – De acordo com Pedro Afonso, o Estado brasileiro tem investido e financiado. “Recentemente, assisti a uma palestra de Aloízio Mercadante, presidente do BNES, mostrando as altas somas que o Banco investe, em condições vantajosas para os tomadores e o setor produtivo”, ele conta.

Quanto à informação de que o Brasil cria mais vagas de emprego entre o segmento de baixa renda (conforme noticia a Folha), isso decorre do fato, óbvio, de que a base é a parte mais larga e ampla da pirâmide social. Também contribuem nesse tipo de contratação obras de construção civil e outras que geram empregos de forma rápida, sem exigir uma qualificação mais sofisticada.

MAIS – Pedro Afonso Gomes, BNDES, Folha de S.Paulo