Os números da economia desmentem a narrativa da direita e de setores rentistas de que o Brasil está em crise. No terceiro trimestre, a taxa de desocupação recuou pra 5,2%. Trata-se do menor patamar para o período de julho a setembro, desde o início da série histórica, em 2012. O resultado anterior de desocupação era de 5,4%. Dados foram divulgados sexta (30) pelo IBGE. O levantamento também mostra recorde no número de empregados, que chega a 103,6 milhões.
Outro indicador positivo se refere a rendimentos do trabalho, o maior valor da série histórica. O rendimento real habitual médio dos trabalhos chegou a R$ 3.790,00 no terceiro trimestre. Ou seja, crescimento de 3,6% na comparação com o mesmo período de 2025. Crescimento equivale a ganho real de R$ 131,00.
A Agência Sindical ouviu Clemente Ganz Lúcio. Ele foi coordenador-técnico do Dieese e hoje atua como coordenador do Fórum das Centrais Sindicais. Clemente observa: “Esse desempenho positivo ocorre num ambiente internacional de guerra, além do tarifaço dos Estados Unidos contra a economia brasileira. Sem falar na taxa de juros exageradamente alta”.
Desocupação – A população desocupada está em 5,6 milhões de pessoas, ou seja, redução de 4% em comparação com o trimestre anterior. Na prática, 234 mil brasileiros a menos procurando emprego. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, queda de 6,9%. Vale dizer uma diminuição de 417 mil pessoas nessa condição.
O contingente de ocupados cresceu 0,6% entre o segundo e o terceiro trimestres, com a entrada de 581 mil pessoas no mercado de trabalho. Em relação ao mesmo período de 2025, isso equivale a cerca de 1,2 milhão de trabalhadores adicionais.
Construção civil – A construção registra um dos principais resultados positivos do trimestre. O número de trabalhadores nesse setor cresceu 2,8%, abrindo oportunidade para mais 210 mil pessoas.
Carteira assinada – O número de empregados do setor privado com Carteira assinada, excluídos domésticos, chegou a 39,4 milhões no terceiro.
Otimismo – Clemente Ganz está otimista com relação ao desempenho econômico. Ele vê o governo adotar medidas corretas e o País atrair investimentos. Outro ponto positivo é o fim das Bets. Para Clemente, “boa parte dos bilhões gastos na jogatina está sendo redirecionada para compras, ou seja, ajudando a aquecer o mercado interno”.
Lula 4 – O coordenador do Fórum das Centrais espera, no próximo governo, consolidar um novo padrão de relações do trabalho. Ele diz que as tratativas trabalhadores-governo caminham bem. Mas esbarram na resistência de entidades patronais, como as Confederações e suas Federações.
Para Clemente Ganz a queda no desemprego e a alta na renda sinalizam positivamente para as campanhas salariais em andamento. Ele, no entanto, considera que o País precisa de uma política salarial além daquela aplicada ao salário mínimo. Clemente diz: “Uma das nossas tarefas é traçar o redesenho do sindicalismo, com maior poder para as negociações coletivas, sempre buscando melhorar a distribuição de renda”.
MAIS – Sites do IBGE, CUT e Força Sindical.

