Um país à venda – Juvandia Moreira

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Muita gente pode até avaliar como exagero dizer que o governo Bolsonaro quer desmontar o País. Mas, os exemplos são praticamente diários desse desmonte. Agora, a nova ameaça vem da proposta de o governo vender o Edifício Gustavo Capanema ou Palácio Capanema, no Centro do Rio de Janeiro, uma construção histórica, que tem marcas na cultura brasileira. Uma política que é um desmonte da cultura, de qualquer possibilidade de desenvolvimento econômico sustentável, desmonte dos serviços públicos, enfim, querem desconstruir o país para angariar dinheiro para seus projetos.

Estamos mobilizados para impedir a continuação desses ataques. Este mês começamos uma campanha contra o desmonte do sistema e das empresas públicas. Vender o Palácio Capanema, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Petrobras ou os Correios é um ataque à vida da população brasileira. Claro que estão ameaçados milhares de empregos, direitos conquistados com muita luta, mas um patrimônio que deveria estar à serviço da população, principalmente dos setores mais carentes, que dependem do atendimento desses serviços.

Bolsonaro, seus ministros e seus aliados no Congresso aceleraram o ritmo de desmonte do Estado brasileiro. São mudanças na Constituição, Medidas Provisórias e várias atitudes que são postas em prática sem qualquer discussão com a população, ou com suas entidades representativas. Estão passando o trator por cima do que ainda resta de direitos e conquistas. A privatização da Caixa dificulta ainda mais a compra de moradia por famílias de baixa renda, assim como a venda do Palácio Capanema apaga da nossa memória um acervo imenso. Faz do Brasil um país sem memória, sem cultura e sem personalidade.

Vender o Palácio Capanema apaga da nossa memória um marco da arquitetura moderna brasileira, projeto assinado por nomes como Lucio Costa e Oscar Niemeyer, com obras de Cândido Portinari e José Pancetti. Mais um patrimônio ameaçado, como também estão ameaçados serviços públicos, direitos, empregos e vidas. Troca-se tudo isso por dinheiro nas mãos dos destruidores do Brasil.

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