21.7 C
São Paulo
sábado, 4/04/2026

Desorientação – João Guilherme Vargas Netto

Data:

Compartilhe:

A oposição política ao governo Bolsonaro está desorientada porque acredita em sua remoção imediata, sem ter meios para fazê-lo.

De uma maneira voluntarista aposta nas ruas ou em uma conspirata das elites, sem que ambas (as ruas e as elites) se encontrem ou, pelo menos, não trombem entre si.

Ao se desorientar, a oposição política ao governo deixa de fazer aquilo que seria o essencial: aproximar-se da massa de milhões de brasileiros amedrontados pela doença, desempregados e desalentados, sem condições de sobrevivência e com fome, apresentando-se à população como sua porta-voz e criando uma verdadeira barreira oposicionista do povo contra o desgoverno e o golpismo do capitão.

Em vez de denunciar o escorchante aumento do custo de vida e do preço da luz e do gás, ou a catástrofe energética que nos ameaça e de exigir o auxílio emergencial de R$ 600,00 e trabalhar efetivamente para obtê-lo, costeia o alambrado com arremedos de medidas radicais, enfrentadas pelo bolsonarismo com seu arsenal de cooptações, aglomerações, provocações, motociatas ou medidas que podem ter impacto na população pobre, bestializada pela doença (expressão de Aristides Lobo).

Em que medida a desorientação da oposição política ao governo Bolsonaro afeta a direção sindical dos trabalhadores?

Pelo momento conseguiu desviá-la da VIA unitária trilhada pelo movimento desde, pelo menos, maio do ano passado, levando as direções a ceder ao apelo movimentista das ruas (que viola o sentimento amedrontado da população) e as afastando de suas bases organizadas, deixando-as, com raríssimas exceções, desamparadas.

Embora pareça correto e natural, “normalizado” juntamente com meio milhão de mortos, o erro da oposição política ao governo Bolsonaro e sua influência desorientadora na ação sindical custarão caro aos trabalhadores e a todo povo brasileiro, a curto, a médio e a longo prazos.

João Guilherme Vargas Netto – Consultor sindical e membro do Diap.

Clique aqui e leia mais opiniões

João Guilherme
João Guilherme
Consultor sindical e membro do Diap. E-mail joguvane@uol.co.br

Conteúdo Relacionado

Conclat em movimento – João Guilherme Vargas Netto

As direções das centrais sindicais resolveram que as comemorações este ano, do 1º de Maio, serão descentralizadas, sem um evento único, mas com vários...

Pejotização e seus efeitos sistêmicos – Rita Serrano

Após participar, em 10 de março, de audiência pública no Congresso Nacional, representando o DIAP no debate sobre as consequências da pejotização para a...

Salário mínimo: 90 anos de uma ideia essencial – Murilo Pinheiro

O salário mínimo nasceu como um princípio. Em 14 de janeiro de 1936, a Lei 185 estabeleceu que a remuneração do trabalhador deveria ser suficiente para...

Sem pressão sindical e social, Congresso vai enterrar redução da jornada – Marcos Verlaine

A agenda está quente, mas a decisão está fria. Assim, pode-se definir o debate em torno da redução da jornada de trabalho e da...

Política e religião – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Quase todo mundo segue uma religião. Quase todo mundo tem uma preferência política. Geralmente, a ligação das pessoas com a religião é constante e...