Criado em 1983, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) pela primeira vez é presidido por uma mulher. É Rita Serrano, sindicalista bancária e ex-presidente da Caixa Econômica. Rita, que assumiu em dezembro de 2025, tem buscado dinamizar o Diap para ampliar seu raio de ação.
Ela foi entrevistada pela Agência Sindical. Trechos principais:
Função – “Nossa função principal é fazer a ponte das entidades e suas pautas junto ao Congresso Nacional e aos Poderes. Sempre na defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras, como também defender a democracia. Sem sindicalismo forte não existe democracia efetiva”.
Recursos – “O Diap, a exemplo das entidades sindicais, foi duramente prejudicado pela reforma trabalhista de Temer em 2017. Os recursos são indispensáveis pra manter nossa entidade e a fim de exercer nosso papel, junto ao Congresso e também aos Sindicatos e demais organizações de classe”.
Estrutura – “O primeiro objetivo do Diap é atualizar nossa estrutura, recompor os recursos financeiros e ampliar nossos trabalhos, seja nas Comissões da Câmara e Senado ou junto aos próprios parlamentares e às entidades filiadas, intermediando a presença das Centrais e dando embasamento técnico para as entidades de classe”.
Meios – “Objetivo é criar uma legislação, ou reforçar o que já existe, para que as entidades sociais possam atuar dentro do Congresso Nacional, discutindo nossas demandas e pautas com todos os parlamentares. É preciso fortalecer nossa capacidade de articular junto aos Poderes”.
Seminário – “Marcada pra 17 de março uma grande reunião de trabalho, que, entre outras questões, vai debater um estatuto mais adequado aos tempos atuais. Devemos levar em conta a experiência acumulada do Diap nessas decadas, que é muito rica”.
Pautas – “Sem dúvida, a prioridade é o fim da escala 6×1, reduzindo a jornada pra 40 horas semanais. Observe que o México acaba de aprovar 40 horas. Portanto, é possível”.
Pejotização – “Outra questão urgente é a pejotização. Dia 10 de março, vou participar de audiência pública na Câmara, representando o Diap. Terceirizar significa precarizar as relações entre trabalho e capital. A narrativa pelo empreendedorismo é ilusória. O avanço da pejotização afeta gravemente a Previdência e o Fundo de Garantia, que vai se descapitalizado, deixando de financiar o Estado, perdendo também força quanto à sua função social”.
Aplicativos – “Essa é outra demanda forte. A regulamentação do trabalho com aplicativos precisa avançar, principalmente pra dar proteção legal aos milhões que hoje trabalham sob esse sistema”.
Mulher – “O Diap está preocupado, pra não dizer assustado, com o aumento da violência e do feminicídio. Queremos estimular os Sindicatos a empunhar essa bandeira, a incluir nas Convenções Coletivas mecanismos de prevenção e de apoio às vítimas. A situação atual do Brasil, com quatro crimes por dia, em média, denuncia um atraso civilizatório. A cultura do machismo e da dominação do outro não pode persistir. As Centrais e outras entidades participam do Pacto Nacional Contra o Feminicídio lançado pelo governo federal. Porém, é preciso avançar concretamente”.
Filiação – “O Diap é amplo e busca aumentar o número de filiados. A entidade interessada deve entrar em contato com o órgão, comigo mesma ou algum dos nossos integrantes. A mensalidade é modesta e toma por base o número de integrantes de cada categoria”.
Redes – “Na grande reunião dia 17 de março, vamos também tratar de formas mais efetivas de atuação redes sociais. É preciso ocupar esse terreno onde a direita assumiu a dianteira de forma agressiva e contra as conquistas democráticas, sociais e dos trabalhadores”.
MAIS – Fale com o Diap. Ou marise2@uol.com.br – diap@diap.org.br – mariaclaudia@diap.org.br









