23.1 C
São Paulo
sábado, 7/02/2026

EMPREGO NÃO TEM IDEOLOGIA

Data:

Compartilhe:

Setores importantes do patronato são contra o selfie-service, pois querem preservar as pequenas empresas e o emprego.

A concorrência sempre é salutar. Por quê? Porque ela possibilita o aumento na produtividade, a redução no preço de produtos e serviços e também o melhor atendimento ao cliente.

Até aí, estamos de acordo. Aliás, no setor de abastecimento de gasolina, etanol e diesel, isso ocorre diariamente. Até porque existem mais de 50 mil postos, sendo a maioria de pequenas empresas. Em muitas delas, por esse Brasil a fora, o próprio dono ajuda a atender e a abastecer.

Mas isso pode mudar. E é ruim que mude. Quem quer mudar é o deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP). Ele manobra em dois sentidos. Primeiro, mudar a lei do ano 2000 e possibilitar o selfie-service. Com isso, entram as bombas de autoatendimento e saem os frentistas.

O segundo movimento é: sem frentistas e com os postos automatizados, as pequenas empresas quebram e ficam só as grandes redes. Com isso, o distribuidor de combustível passa também a controlar o abastecimento. O que você acha: isso aumentará ou reduzirá o preço final da gasolina? Aumentará, porque todo cartel sobe preços de produtos ou de serviços.

Hoje, existem cerca de 500 mil trabalhadores nos postos de combustíveis e serviços em todo o País. O autoatendimento desempregará mais de 400 mil. E milhares de pequenos postos, muitos deles de empresas familiares, vão quebrar, pois a bomba automática custa caro e porque o posto nesse novo padrão de atendimento tem que fazer obras de adaptação. Ou seja: gastar.

Vale ressaltar que setores importantes do patronato são contra o selfie-service, pois querem preservar as pequenas empresas e o emprego. O atendimento da forma que se faz hoje é bom também para o cliente, até porque o frentista abastece, mede o óleo, calibra o pneu, lava o para-brisas, sem cobrar. No sistema americano, todo serviço será cobrado – “one dólar” pra encher pneu, repor o óleo etc.

As direções dos frentistas, em todo o País, não se recusam a debater tecnologia e mudanças no sistema de trabalho. Mas repudiamos imposições. Até porque o Brasil vive um momento de desemprego medonho. Botar na rua mais 400 mil trabalhadores terá um impacto social gigantesco.

Já pedimos ao deputado Kim que retire suas emendas, mas ele se mostra radical. Por isso, estamos conversando com parlamentares de todos os partidos, em defesa do nosso direito de trabalhar e ganhar o pão honestamente. Felizmente, temos tido muitos apoios ao centro, à direita e à esquerda. Até porque emprego não tem ideologia.

MAIS – www.fenepospetro.org.br

Clique aqui e leia mais opiniões

Conteúdo Relacionado

Chega de feminicídio! – Josinaldo José de Barros

No Brasil, o Estado é laico. Isso significa que o poder político e estatal não pode impor um credo nem fazer proselitismo religioso. Essa...

Duas leituras – João Guilherme

Às vezes o excesso de ingredientes (e de ingredientes ruins) azeda o bolo.Foi o que constataram os leitores da versão impressa de O Globo...

Basta de feminicídio e violência contra as mulheres! – Miguel Torres

Recente levantamento do Ministério da Justiça mostra que 2025 foi um ano recorde de feminicídios no Brasil. Ocorreram 1.470 feminicídios, o equivalente a uma...

É urgente reduzir a taxa de juros – Murilo Pinheiro

Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2026, realizada na quarta-feira (28/01), o Banco Central decidiu manter a Selic em estratosféricos...

Voto, organização e resistência – Eusébio Pinto Neto

A força motriz da nossa economia está nas mãos dos mais de 110 milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Somos nós que geramos toda...