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domingo, 19/04/2026

Engenharia ao enfrentamento da questão climática

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Garantir protagonismo da engenharia e valorizar a ciência estão na ordem do dia para que Brasil caminhe rumo à sustentabilidade e avance no cumprimento de metas firmadas durante a COP26.

Além da urgência de se colocarem em prática promessas governamentais e avançar em compromissos assumidos, a 26ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), que ocorre até a próxima sexta-feira (12/11), em Glasgow, na Escócia, tem evidenciado o papel fundamental da engenharia ao enfrentamento da questão – sobretudo a brasileira, dado o papel chave do País na busca por sustentabilidade. O SEESP tem contribuído para as discussões e apresentação de propostas factíveis nessa direção.

O protagonismo da categoria é demonstrado em iniciativas e exemplos apresentados desde o início da COP26, como planejamento urbano pensado para reduzir o aquecimento nas cidades, avanços tecnológicos e investimentos à necessária transição energética e descarbonização do transporte público, com evolução para a eletromobilidade.

Este último setor é responsável por 25% dos gases de efeito estufa, e se as emissões continuarem elevadas, as cidades correm o risco de esquentar ao nível máximo de 4 oC até o final do século, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Ou seja, mais que o dobro da meta de limitar o aquecimento global em 1,5 oC para evitar catástrofe climática, como apontado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) em seu Sexto Relatório de Avaliação (AR6), divulgado em 9 de agosto último. Analistas têm afirmado que a COP26 é a última chance.

Nesse sentido, um guia lançado durante a conferência apresenta iniciativas auspiciosas ao redor do mundo, com métodos e tecnologias ao resfriamento urbano, que incluem corredores verdes e recuperação de rios e afluentes, de modo a minimizar efeito denominado “ilhas de calor”.

De outro lado, o Brasil – cuja comitiva oficial tem se esforçado para reverter a imagem nacional bastante negativa – se comprometeu durante a COP26 em zerar o “desmatamento ilegal” até 2028 e firmou, juntamente com 103 países, esforço para reduzir a emissão do gás metano em 30% até 2030. Contudo, não apresentou ações concretas para alcançar esses objetivos, ao que engenheiros, cientistas e pesquisadores precisam ser ouvidos e valorizados.

Na contramão disso, o Congresso Nacional aprovou no início de outubro proposta do governo de corte de 92% no orçamento para ciência. Para estudos e projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o contingenciamento atingiu 93% nos últimos três anos.

Além disso, o desmatamento na Amazônia está em níveis alarmantes. A ONG Human Rights Watch afirmou em nota que “embora estimativas preliminares sugiram uma ligeira queda no desmatamento em 2021 em comparação com 2020, a tendência de destruição dificilmente foi revertida.” Conforme a organização, no ano passado, a devastação atingiu 10.800km2, enquanto o Brasil havia já se comprometido com redução para 3.

925km2 até 2020. Ao tempo que a COP26 se realiza, de acordo com o Monitor da Floresta, foram derrubadas mais 9 milhões de árvores na Amazônia brasileira.

Outra sinalização oposta é a aprovação de privatização da Eletrobras, cujo papel à transição energética é estratégico.

É o que salientou o diretor do Sindicato dos Engenheiros no Estado de Santa Catarina (Senge-SC) e presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Eletricistas (Abee), José Antônio Latrônico Filho, em reportagem do Jornal do Engenheiro 543: “Daqui a dez ou 15 anos a matriz energética vai mudar e teremos as modalidades chamadas intermitentes – eólica e fotovoltaica. Os grandes reservatórios da Eletrobras, com energia renovável e barata, poderiam complementar tal geração e minimizar o uso das termelétricas, mais caras. Teríamos uma energia 100% verde, podendo usufruir de melhores condições de financiamento internacional.”

Ponto fora da curva em relação a essa questão é ainda o aumento pelo governo brasileiro de subsídios a combustíveis fósseis, que alcançaram R$ 123,9 bilhões em 2020, um total 25% superior ao concedido em 2019. Na COP26, 77 signatários assinaram compromisso de expansão de energia limpa e eliminação do combustível fóssil até a década de 2030 nas maiores economias e até os anos 2040 nos demais países.

O Brasil precisa urgentemente caminhar de fato para além das promessas e, assim, retomar a confiança internacional. Chegando desacreditado à conferência, o País levou a maior delegação oficial – 479 membros. Contudo, esta não engloba sociedade civil organizada e pesquisadores, que se organizam em estande paralelo. É premente ouvi-los e assegurar o protagonismo da engenharia ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Esse desafio não pode mais ser ignorado.

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