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quinta-feira, 2/04/2026

Lula publica no New York Times

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O Presidente Lula publicou artigo domingo (14), no New York Times, principal jornal dos Estados Unidos. No texto, ele se dirige diretamente a Donald Trump, presidente da República norte-americana, que tem criado embaraços à economia brasileira, especialmente por meio do tarifaço de 50% às nossas exportações para aquele País.

No que tange às relações econômicas, escreve Lula: “Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”. Segundo Lula, a parceria entre Brasil e Estados Unidos só poderá prosperar se apoiada no respeito mútuo e na cooperação entre duas grandes democracias.

O eixo político do texto assinado por Lula no Times é a questão da soberania. Ele pontua: “A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis.”

Superávit – Nosso presidente voltou enfatizar que “os EUA acumulam um superávit de US$ 410 bi no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos”. Também lembrou que quase 75% das exportações dos EUA entram isentas de tarifas em nosso País”.

Democracia e PIX – Lula destacou a decisão do Supremo (STF), que confirmou condenações de envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro. “Tenho orgulho do Supremo por sua decisão histórica, que salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito”, afirmou.

Lula também contestou críticas dos EUA sobre a regulação de empresas de tecnologia, afirmando que não há perseguição, mas aplicação igual da lei para todas as plataformas, nacionais ou estrangeiras, buscando combater crimes digitais, desinformação e discurso de ódio. Para Lula, o sistema instantâneo pelo PIX propiciou a inclusão financeira de milhões de brasileiros.

Conjuntura – O Presidente Lula publica seu artigo num momento favorável ao Brasil, cuja economia vai bem e as instituições do Estado Democrático de Direito funcionam conforme nossa Constituição.

Leia, a seguir, a íntegra do artigo do presidente Lula no NYT.

A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis. Artigo de Luiz Inácio Lula da Silva, no New York Times, 14 de setembro de 2025

A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis

“Decidi escrever este ensaio para estabelecer um diálogo aberto e franco com o presidente dos Estados Unidos. Ao longo de décadas de negociação, primeiro como líder sindical e depois como presidente, aprendi a ouvir todos os lados e a levar em conta todos os interesses em jogo. Por isso, examinei cuidadosamente os argumentos apresentados pelo governo Trump para impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

A recuperação dos empregos americanos e a reindustrialização são motivações legítimas. Quando, no passado, os Estados Unidos levantaram a bandeira do neoliberalismo, o Brasil alertou para seus efeitos nocivos. Ver a Casa Branca finalmente reconhecer os limites do chamado Consenso de Washington, uma prescrição política de proteção social mínima, liberalização comercial irrestrita e desregulamentação generalizada, dominante desde a década de 1990, justificou a posição brasileira.

Mas recorrer a ações unilaterais contra Estados individuais é prescrever o remédio errado. O multilateralismo oferece soluções mais justas e equilibradas. O aumento tarifário imposto ao Brasil neste verão não é apenas equivocado, mas também ilógico. Os Estados Unidos não têm déficit comercial com o nosso país, nem estão sujeitos a tarifas elevadas. Nos últimos 15 anos, acumularam um superávit de US$ 410 bilhões no comércio bilateral de bens e serviços. Quase 75% das exportações dos EUA para o Brasil entram isentas de impostos. Pelos nossos cálculos, a tarifa média efetiva sobre produtos americanos é de apenas 2,7%. Oito dos 10 principais itens têm tarifa zero, incluindo petróleo, aeronaves, gás natural e carvão.

A falta de justificativa econômica por trás dessas medidas deixa claro que a motivação da Casa Branca é política. O vice-secretário de Estado, Christopher Landau, teria dito isso no início deste mês a um grupo de líderes empresariais brasileiros que trabalhavam para abrir canais de negociação. O governo americano está usando tarifas e a Lei Magnitsky para buscar impunidade para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que orquestrou uma tentativa fracassada de golpe em 8 de janeiro de 2023, em um esforço para subverter a vontade popular expressa nas urnas.

Tenho orgulho do Supremo Tribunal Federal (STF) por sua decisão histórica na quinta-feira, que salvaguarda nossas instituições e o Estado Democrático de Direito. Não se tratou de uma “caça às bruxas”. A decisão foi resultado de procedimentos conduzidos em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra uma ditadura militar. A decisão foi resultado de meses de investigações que revelaram planos para assassinar a mim, ao vice-presidente e a um ministro do STF. As autoridades também descobriram um projeto de decreto que teria efetivamente anulado os resultados das eleições de 2022.

O governo Trump acusou ainda o sistema judiciário brasileiro de perseguir e censurar empresas de tecnologia americanas. Essas alegações são falsas. Todas as plataformas digitais, nacionais ou estrangeiras, estão sujeitas às mesmas leis no Brasil. É desonesto chamar regulamentação de censura, especialmente quando o que está em jogo é a proteção de nossas famílias contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. A internet não pode ser uma terra de ilegalidade, onde pedófilos e abusadores têm liberdade para atacar nossas crianças e adolescentes.

Igualmente infundadas são as alegações do governo sobre práticas desleais do Brasil no comércio digital e nos serviços de pagamento eletrônico, bem como sua suposta falha em aplicar as leis ambientais. Ao contrário de ser injusto com os operadores financeiros dos EUA, o sistema de pagamento digital brasileiro, conhecido como PIX, possibilitou a inclusão financeira de milhões de cidadãos e empresas. Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro que facilita as transações e estimula a economia.

Nos últimos dois anos, reduzimos a taxa de desmatamento na Amazônia pela metade. Só em 2024, a polícia brasileira apreendeu centenas de milhões de dólares em ativos usados em crimes ambientais. Mas a Amazônia ainda estará em perigo se outros países não fizerem a sua parte na redução das emissões de gases de efeito estufa. O aumento das temperaturas globais pode transformar a floresta tropical em uma savana, interrompendo os padrões de precipitação em todo o hemisfério, incluindo o Centro-Oeste americano.

Quando os Estados Unidos viram as costas para uma relação de mais de 200 anos, como a que mantêm com o Brasil, todos perdem. Não há diferenças ideológicas que impeçam dois governos de trabalharem juntos em áreas nas quais têm objetivos comuns.

Presidente Trump, continuamos abertos a negociar qualquer coisa que possa trazer benefícios mútuos. Mas a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta. Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2017, o senhor afirmou que “nações fortes e soberanas permitem que países diversos, com valores, culturas e sonhos diferentes, não apenas coexistam, mas trabalhem lado a lado com base no respeito mútuo”. É assim que vejo a relação entre o Brasil e os Estados Unidos: duas grandes nações capazes de se respeitarem mutuamente e cooperarem para o bem de brasileiros e americanos”.

Clique no link abaixo para ler o artigo original, em inglês, na íntegra

https://www.nytimes.com/2025/09/14/opinion/lula-da-silva-brazil-trump-bolsonaro.html

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