16.3 C
São Paulo
quarta-feira, 21/01/2026

Mercedes-Benz é condenada a pagar R$ 40 milhões

Data:

Compartilhe:

Após discriminação por raça, deficiência e isolamento de trabalhadores e trabalhadoras lesionados e que precisaram se afastar da rotina por um período, a Mercedes-Benz foi condenada pela Justiça do Trabalho e terá que pagar R$ 40 milhões em indenização por danos morais coletivos.

Os casos de discriminações e assédio moral começavam a partir do momento em que os trabalhadores, que se lesionavam em alguma atividade dentro da planta da montadora, ficavam afastados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e retornavam ao serviço.

A decisão, que ainda cabe recurso, foi do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), em Campinas, interior de São Paulo. De acordo com a sentença do desembargador relator, Luis Henrique Rafael, os trabalhadores que voltavam do afastamento temporário eram isolados e proibidos de desempenhar qualquer atividade e, além disso, eram submetidos a humilhações e xingamentos de colegas e chefias, no que o juiz chamou de “culto ao capacitismo”.

“Não podemos deixar que esse tipo de prática se consolide pelo país. Por isso é importante que os sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras acompanhem de perto esses processos, principalmente em relação ao assédio”, afirma Maicon Michel Vasconcelos, trabalhador na Mercedes e secretário de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM).

O dirigente alerta ainda que muitos trabalhadores passam por esses casos com frequência no chão da fábrica.

“É necessário combater todo tipo de assédio, e são denúncias graves na Mercedes. Precisa ter uma atenção muito especial dos trabalhadores e trabalhadoras no sentido de acompanhar todos os casos de assédio e denunciar e lutar contra essa prática”, reitera.

A montadora responde a processo aberto em 2019 pelo Ministério Público do Trabalho. A indenização coletiva que será paga pela montadora será destinada a uma instituição de caridade escolhida pelo MPT, caso o pagamento não ocorra, a empresa poderá pagar multa de R$ 100 mil por dia.

Prática recorrente

As denúncias levadas ao MPT apontam que a prática acontecia desde 2015. A ação civil pública aponta ainda que as ofensas aos funcionários eram por: padrões estéticos, raça, origem, etnia e doença (por conta de alguma limitação ou lesão causada em atividades desempenhadas no trabalho).

A ação civil pública que levou à condenação da montadora foi ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), após denúncias feitas pelos trabalhadores metalúrgicos de Campinas, que segundo eles os xingamentos eram frequentes, como: “preguiçosos”, “ruins de serviço”, “vagabundo”, “barrigudo” e “gordo”. Há ainda relatos de trabalhadores que eram “massacrados” e perseguidos pela chefia após não conseguirem mais fazer a função que desempenhavam antes.

Segundo o MPT, um dos chefes do trabalhador lesionado teria afirmado que gostaria de acertá-lo com uma “12” (arma de fogo), e outro metalúrgico, que tinha diabetes, chegou a urinar nas calças porque foi impedido pelo chefe de ir ao banheiro e passou a ser chamado de “mijão”.

Procurada pela reportagem da Folha de S. Paulo, a Mercedes afirmou que “não comenta processos que estejam em andamento e reforça que adota todas as medidas de proteção, saúde e segurança de seus trabalhadores”.

Obrigações a cumprir

Com a condenação, a Mercedes-Benz deverá cumprir obrigações que incluem:

Fim das práticas de assédio moral, especialmente contra os trabalhadores reabilitados;

Elaboração de programas internos de prevenção ao assédio e discriminação (diagnóstico do ambiente de trabalho, adoção de estratégias de intervenção, treinamentos, palestras, etc);

Instituição de processos de mediação e acompanhamento da conduta dos assediadores;

Implementação de normas de conduta e de uma ouvidoria interna para tratar os casos de assédio, dentre outras.

MAIS – site da CUT.

Conteúdo Relacionado

Cabelos brancos guardam memória sindical

Mais de 200 pessoas lotaram na noite da segunda (19) o auditório da antiga sede dos Metalúrgicos de São Paulo (hoje Sindnap), na rua...

Comércio já sente pressão pelo fim da escala 6×1

A oferta de emprego tem crescido em todo o País, principalmente no setor do comércio. Segundo informações da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), há...

Desenvolvimento deve nortear 2026, diz Toninho

Antônio Augusto de Queiroz (o Toninho do Diap) concedeu longa entrevista ao Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo. Com 27 minutos, a...

Metalúrgicos e Delegados estreitam atuação conjunta na base

Direção sindical e Delegados Representantes devem atuar cada vez mais próximos, com troca de ideias e tratativas sobre demandas gerais da categoria ou por...

SindForte divulga conquistas e chama eleições

Diretores do SindForte, Sindicato que representa trabalhadores no transporte de valores e escolta armada, já distribuem nas bases o mais recente jornal “Transporte Forte”....