Em análise minuciosa e precisa, o consultor do Diap, Marcos Verlaine, aponta que o parecer do relator da PEC 8/2025, Paulo Auzi (União-Bahia), “reconhece a urgência na redução da jornada, mas aposta em adiamento que protege custos e posterga ganhos sociais”. E vai além ao afirmar que o texto “tenta recuperar o tempo perdido com excesso de palavras, mas evita enfrentar o ponto central, que é como transformar consenso social difuso em decisão legislativa efetiva”.
Segundo o especialista, “o relatório reconhece, com farta base empírica, algo já consolidado no debate público, ou seja, que a escala 6×1 está associada a adoecimento físico e mental, afeta de forma desproporcional mulheres, jovens e trabalhadores de baixa renda, com impacto indireto sobre produtividade, rotatividade e Previdência”.
O jornalista e assessor político do Diap observa que, “se a primeira parte do parecer é marcada pela reconstrução histórica, a segunda revela sua essência, ou seja, esforço de equilíbrio que termina em paralisia controlada”. O texto reconhece que a jornada atual adoece; a redução é socialmente desejável; e há experiências internacionais viáveis”. Ele comenta que o texto, ao mesmo tempo, amplifica riscos econômicos, sugere compensações custosas, aposta em transição longa e desloca decisões para o futuro.
Verlaine acrescenta: “No fim, o parecer não nega a mudança. Apenas a torna suficientemente lenta para não incomodar no presente. Sobretudo os setores mais poderosos”. E conclui: “É exatamente aí que reside seu principal limite ao transformar pauta urgente em processo administrável e potencialmente inofensivo, deixando de cumprir papel para o qual foi designado”.
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