Quem ama não mata – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

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Era o nome de um seriado exibido pela Rede Globo tempos atrás. A ideia da série era denunciar a onda de assassinatos e de outras agressões a mulheres. Apesar da boa intenção da série televisiva, o fato concreto é que a violência aumentou.

De uns anos para cá, a expressão “feminicídio” ganhou espaço na mídia. O termo significa “matar mulher pelo fato de ser mulher”. Feminicídio foi tipificado como crime e essa decisão veio reforçar iniciativas anteriores, como a Lei Maria da Penha, entre outras.

O avanço nas leis e nas punições decorrentes das penas aos assassinos e agressores não tem conseguido frear a onda de violência. Só em 2025, houve mais de mil feminicídios no Brasil e mais de 2,7 mil mulheres escaparam da tentativa de homicídio.

Domingo, em várias cidades, aconteceram atos públicos e protestos contra a violência. As manifestações fazem parte do movimento “Mulheres Vivas”. Participaram mulheres de todas as idades e, em muitos locais, toda a família participou. O movimento sindical também esteve presente.

Nas últimas décadas, a mulher obteve várias conquistas. O próprio Código Civil foi reformado e de lá foi extirpado o conceito arcaico de que a mulher devia obediência ao homem. Nas Convenções Coletivas das categorias os Sindicatos também, apesar da resistência patronal, têm conseguido avanços e medidas protetivas à mulher.

Das 12 Convenções Coletivas de Trabalho, apenas o Sindipeças, por exemplo, possui licença-maternidade de 180 dias. Nas demais, os patrões não aceitam ampliar o benefício de quatro para seis meses.

O fim da escala 6×1 é crucial para mulheres. É uma forma de aliviar a dupla jornada (trabalho remunerado e doméstico), melhorar a saúde física e mental, ao proporcionar mais descanso. Além de aumentar o tempo para autocuidado e qualificação, beneficiando a participação feminina na sociedade e no mercado de trabalho de forma mais equilibrada.

Além disso, mulheres são prejudicadas por preconceito em entrevistas de emprego ao mencionarem ter filhos, especialmente aqueles com necessidades especiais, embora essa prática seja ilegal e discriminatória no Brasil.

Nosso Sindicato possui Departamento Feminino, que realiza encontros, promove debates e denuncia assédios e outras agressões às trabalhadoras. Integram o Departamento as diretoras Roseli, Raquel, Marcia e Delma.

Mas esses esforços precisam ganhar apoio efetivo dos homens. Recentemente, durante cerimônia no Recife, o presidente Lula lançou o desafio por “um grande movimento nacional contra os ‘animais’ que batem e maltratam as mulheres”. ‘Animal’ é força de expressão, porque a palavra ‘monstro’ seria mais adequada.

O movimento sindical promove constantes encontros de mulheres. Nossos Departamentos Jurídicos defendem as companheiras assediadas e agredidas. Porém, isso não basta. Precisamos incluir nos acordos coletivos garantias quanto à proteção da mulher. Mas tem um problema: os patrões se recusam a ampliar esses direitos. Com essa recusa de ampliar as garantias, a trabalhadora continua exposta. Pedimos, portanto, aos empresários mais consciência e responsabilidade.

Outro segmento que poderia ajudar as mulheres é o religioso. As igrejas deveriam incluir em seus cultos pregações sobre a igualdade entre homem e mulher, condenando com veemência qualquer ato desrespeitoso ou violento contra a esposa, a companheira, a namorada e assim por diante. A Bíblia mostra que Jesus salvou uma prostituta que ia ser apedrejada.

Sigamos o exemplo de Jesus. Não aceitemos qualquer agressão à mulher, ao ser que gera a vida e protege os filhos a vida inteira.

Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.