Três questões em jogo – Adilson Araújo

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A exploração sensacionalista de escândalos recentes na mídia tradicional e nas redes sociais tem funcionado como uma verdadeira cortina de fumaça sobre o debate político. Esse ruído proposital tenta ocultar os temas e problemas fundamentais relacionados às eleições domingo, 4 de outubro, um pleito que será decisivo para os rumos e o destino do Brasil.

Para a classe trabalhadora e a Nação brasileira, estão em jogo três questões estratégicas e profundamente entrelaçadas: a soberania nacional, a democracia e os direitos sociais.

A defesa desses pilares e do direito do Brasil à autodeterminação passa, inevitavelmente, pela derrota da extrema-direita e de suas candidaturas. É preciso conscientizar o povo sobre o que realmente está em disputa.

1 – A soberania nacional e a ameaça neocolonial

Uma vitória da direita bolsonarista representaria o fim da soberania nacional. O clã Bolsonaro conspira abertamente nos Estados Unidos contra os interesses do Brasil, sendo cúmplice do tarifaço e da ofensiva de Donald Trump contra a independência da Justiça brasileira. Enquanto Eduardo Bolsonaro se encontra no Exterior articulando com a extrema-direita internacional, Flávio Bolsonaro já acena com a submissão total: prometeu que, em caso de vitória, criará uma “equipe de transição à disposição do governo americano”.

Mais do que isso, o compromisso da extrema-direita é entregar aos EUA o controle e a exploração de nossas terras raras e minerais críticos, usando o patrimônio brasileiro como peça de manobra na disputa de Washington contra a China – que é, hoje, a maior parceira comercial do Brasil. Antes mesmo do pleito, revela-se uma postura de vassalagem ao imperialismo. O povo brasileiro precisa compreender que os EUA não querem ajudar o país; o objetivo é apoderar-se do nosso petróleo e minérios, tentando transformar o Brasil em uma neocolônia ou protetorado.

O momento histórico é caracterizado pela intensificação das agressões imperialistas dos EUA no continente americano num momento de declínio de sua liderança econômica e decomposição da ordem mundial conformada em Bretton Woods. O que ocorreu na Venezuela deve nos servir de alerta.

2 – A defesa da democracia contra o DNA golpista

A questão democrática é urgente. O clã Bolsonaro carrega em seu DNA o golpismo. Seu principal chefe, Jair, está preso por comandar a tresloucada aventura golpista que culminou nos atentados contra as sedes dos Três Poderes em Brasília no 8 de janeiro de 2023. Além disso, a exaltação pública feita por ele a figuras sombrias, como o coronel torturador Brilhante Ustra, demonstra o real projeto dessa força política. Uma eventual vitória da extrema-direita neste pleito representaria um golpe severo e imediato nas instituições democráticas do país.

3 – Direitos sociais: o combate à precarização e à fome

No campo social, a extrema-direita avança contra as conquistas históricas do povo. Posiciona-se frontalmente contra o fim da desumana escala 6×1 e defende a abolição progressiva das garantias trabalhistas. O sucesso desse projeto pode significar o fim do Direito do Trabalho e da própria Justiça do Trabalho, a redução do valor das aposentadorias, o desmonte da Previdência Pública e a “uberização” generalizada das relações sociais de produção. O resultado prático seria o avanço brutal da precarização e o retorno do Brasil ao Mapa Mundial da Fome.

O caminho para avançar e fortalecer a luta popular

Derrotar o retrocesso significa defender a continuidade de uma política externa altiva e soberana, focada no fortalecimento do Sul Global, dos Brics e da parceria estratégica com a China. Significa também avançar em pautas populares.

Adilson Araújo. Presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil (CTB).