Um golaço da nossa indústria – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

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Domingo o Fantástico exibiu uma operação impressionante. A reportagem da Globo mostrou a gigantesca operação pra conduzir ao Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, um transformador pesando mais de 540 toneladas, com 11 metros de comprimento e seis de largura.
Esse tipo de equipamento, num total de 14 unidades, tem sido exportado à Arábia Saudita, para uso numa cidade projetada e futurista, com 170 quilômetros de extensão e movida pela energia renovável. Esse transformador, sozinho, ilumina uma cidade do porte de Nova Iorque.
A impactante notícia dá conta de que equipamento foi fabricado em Guarulhos, pela empresa Hitachi, que integra a base de nosso Sindicato.
Portanto, a supermáquina foi construída pela expertise técnica da engenharia brasileira, sendo montada e posta a funcionar pelo talento das mãos metalúrgicas.
O deslocamento foi complicado. Ao tentar movimentar a supercarreta com 380 pneus, houve problemas logísticos e de infraestrutura. O conjunto com 10 metros de largura e 120 de cumprimento exigiu suor e agilidade dos 50 profissionais engajados na operação.
Por que Itaguaí? Porque o Porto de Santos está sobrecarregado e a descida da Serra seria arriscada. Já o Porto carioca, adjacente à capital fluminense, foi inaugurado em 7 de maio de 1982. É um dos maiores e mais modernos portos da América Latina.
Enquanto metalúrgico, me orgulha ver um engenho desse porte feito por trabalhadores da nossa categoria e da base do Sindicato. Enquanto brasileiro, fico feliz em ver que nossa indústria tem competência tecnológica e qualidade profissional pra construir essa supermáquina.
Seria interessante se a Rede Globo (ou mesmo a Hitachi) divulgasse quantos trabalhadores participaram da construção desse transformador gigantesco, como também o número de empregos diretos e indiretos gerados durante todas as fases da operação.
O movimento sindical cobra a reindustrialização nacional e uma política efetiva de fortalecimento do setor fabril. Fomos parcialmente atendidos pelo programa NIB (Nova Indústria Brasil), mas ainda há muito pra se avançar. Vale sempre registrar que a indústria gera tecnologias, estimula as cadeias produtivas, cria empregos e paga os melhores salários do País no setor privado.
Infra – O deslocamento do incrível maquinário mostrou que temos problemas de logística e infraestrutura, a partir de determinado volume produzido. Isso tem sido corrigido pelo governo federal, mas o ritmo dessa iniciativa precisa ser turbinado.
Quase todos os homens da minha geração assistem ao Fantástico até o fim pra ver os gols da rodada. Domingo, dia 22, o golaço foi marcado por nossa indústria e nossos trabalhadores.
Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.