Vou defender Dilma – João Franzin

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Quando os ataques à Presidente se intensificavam, decidimos avaliar o governo Dilma em relação aos trabalhadores e ao sindicalismo.

Atividade conjunta Agência Sindical e Centro de Mídia Barão de Itararé, na sede do Barão, em SP.

Quem fez a explanação foi Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho do Diap, com base em levantamento do próprio Diap.

O saldo era: 12 medidas pró-trabalhadores e sindicalismo nos governos Lula e 14 nos governos Dilma.

Tivemos apoio da TV Comunitária de SP, da Federação dos Comerciários e de outras entidades.

Convidamos os tais blogueiros progressistas e vários dirigentes.

Toninho regeu uma sinfonia e surpreendeu os que, acostumados a postagens bravateiras, menosprezavam a capacidade de análise da situação concreta.

A repercussão foi mínima, pois a ânsia proselitista havia suplantado a obrigação de repercutir os fatos reais.

Naqueles dias, conversei com o dirigente cutista Jacy Afonso e alertei que o PT não se empenhava em fazer chegar às categorias os avanços do governo Dilma. Argumentei que era um erro grosseiro.

Por exemplo: foi Dilma quem concedeu o Adicional de Risco de Vida, de 30%, para 600 mil trabalhadores da segurança privada. Ao não valorizar tão importante conquista, o petismo facilitou a cooptação desse contingente para as hostes bolsonaristas.

Dilma também isentou do imposto de renda o pagamento de PLR até R$ 6 mil. Sem massificar esse ganho, o petismo facilitou a adesão da elite assalariada ao campo bolsonarista.

Outra medida importante foi garantir a quase seis milhões de empregados domésticos os direitos da CLT. Sem explicar isso a esse contingente pobre, boa parte ficou contra Dilma e a favor das igrejas reacionárias.

O fato é que acabamos pregando no deserto, o desgaste de Dilma se aprofundou e o golpe ganhou intensidade. Sem o carisma de Lula, Dilma optou pela defensiva e foi massacrada.

No dia 8 de dezembro de 2012, fomos de SP a Porto Alegre falar com Carlos Araújo, que ainda via chances de salvar o governo. Depois, a CIA inventou as jornadas de junho, apoiadas também por setores que se dizem de esquerda. E o resto já se sabe: Dilma foi derrubada de fora pra dentro e também de dentro pra fora.

Parte dessa esquerda volta agora às bravatas de vitória lulista e já no primeiro turno. Muitos almejam se pendurar em cargos governistas, de um governo que não se sabe se virá existir.

Nunca fui do PT – aliás, tenho velhas divergências. Mas esse papo de criminalizar Dilma é manobra bolsonarista. Não vê quem não quer.

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