Há algo de podre no Palácio do Planalto

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Jair Bolsonaro é um farsante cujas máscaras estão caindo, uma a uma. É público e notório que ele se elegeu sob a bandeira do combate à corrupção, que serviu de senha também para a deflagração do golpe de Estado de 2016 e, na sequência, a prisão de Lula em abril de 2018.

Mas o Clã Bolsonaro, com destaque para o presidente e os três rebentos, sempre esteve envolvido em transações nebulosas, contando nisto inclusive fortes indícios de envolvimento com a milícia carioca e o assassinato da vereadora Marielle Franco. Os escândalos do senador da rachadinha Flavio Bolsonaro são famosos e ocupam recorrentemente farto espaço na mídia.

Neste momento, enquanto avança a investigação da CPI da Covid, vêm à tona abundantes sinais de um crime de corrupção que provavelmente será julgado como ainda mais revoltante, ruinoso e sórdido, uma vez que envolve a compra de vacinas e não só o dinheiro mas também a saúde e a vida do povo brasileiro no âmbito de uma política sanitária genocida.

Conforme transparece nas investigações em curso no Senado tal política, comandada por Bolsonaro, constitui a principal causa das mais de 504 mil mortes de brasileiros e brasileiras na pandemia registradas até o momento.

O novo escândalo envolve a aquisição de 20 milhões de doses da Covaxim pelo exorbitante valor de R$ 1,61 bilhão. O custo unitário é de US$ 15,00 o mais alto entre todas as vacinas adquiridas pelo Ministério da Saúde.

O detalhe, onde mora o diabo bolsonarista, é o seguinte: o valor pago é 1.000% mais alto do que o estimado pelo próprio fabricante. O imunizante produzido pela Bharat Biotech tinha preço estimado em 100 rúpias (US$ 1,34 a dose). No site da Covaxin, a dose da vacina era anunciada a US$ 2. De quebra, as vacinas contratadas estavam com prazo de validade vencido.

O superfaturamento é por demais óbvio e envolve empresas de péssima reputação e com pendências na Justiça. O deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) relatou em entrevista à CNN no início da tarde desta quarta-feira (23) que, no dia 20 de março, informou Jair Bolsonaro pessoalmente sobre a suspeita de corrupção no contrato de compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde.

Nada foi feito. O presidente Bolsonaro se empenhou pessoalmente na compra da polêmica vacina. O contraste com o tratamento dado às ofertas da Pfizer e outros laboratórios é chocante e dispensa maiores comentários. Não será com Fake News que os fatos serão anulados.

Este é o pano de fundo do desespero que orienta as reações tresloucadas do presidente quando questionado por jornalistas. Há algo de podre no Palácio do Planalto e urge removê-lo, antes que contamine definitivamente o corpo e a alma da nação brasileira.

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