A fortaleza do sindicato – Eusébio Luís Pinto Neto

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A rotina na pista é dura. São jornadas exaustivas, exposição a riscos constantes, pressão por metas e, muitas vezes, um salário que não acompanha a dignidade do trabalho. É nesse cenário de opressão e exploração, no qual o capital tenta silenciar quem suja as mãos para fazer a engrenagem girar, que o sindicato se ergue como uma fortaleza inabalável.

O sindicato é o cerne da resistência da classe trabalhadora. Muito mais do que uma entidade burocrática, ele é a trincheira de luta onde nasce a coragem. Por meio do diálogo social direto – o olho a olho entre trabalhadores e trabalhadoras – estimula cada frentista a se reconhecer como sujeito de direitos e a participar ativamente da construção da unidade. É essa unidade que fortalece a luta, dá substância às reivindicações e transforma a voz isolada em um coro poderoso capaz de ecoar nas mesas de negociação.

A história nos ensina que o sindicato nasce da necessidade elementar de organização. Ele surge quando os profissionais se sentem enganados, mal remunerados, maltratados e têm seus direitos sonegados pelos donos do dinheiro e dos meios de produção. Essa lógica perversa não distingue setores: ela está presente no chão de fábrica, na lavoura, nas lojas, nos aplicativos e plataformas digitais e, com particular crueza, nos postos de combustíveis, onde a exploração do capital sobre o trabalho muitas vezes passa despercebida.

No entanto, a nossa fortaleza não se constrói com muros, mas com a democracia participativa. Acreditamos que é no diálogo direto, na assembleia franca e na participação ativa de cada associado que encontramos a melhor forma de resistir, defender os interesses coletivos e avançar na conquista de direitos. Não há pauta legítima que não passe pelo crivo da base, e não há vitória duradoura que não seja construída coletivamente.

O sindicato é, portanto, movimento, luta e transformação do tecido social. É um elemento em permanente evolução, que sacode as estruturas adormecidas e faz a máquina do progresso girar em favor de quem realmente produz as riquezas. Seu impacto vai além das cláusulas da convenção coletiva: ele redistribui renda, melhora a qualidade de vida e devolve à sociedade o protagonismo que lhe é devido.

Sim, o sindicato é um sujeito abstrato, mas que se concretiza em cada conquista palpável – no vale-refeição corrigido, no adicional de periculosidade respeitado, nas condições seguras de trabalho e na aposentadoria digna. Ele se materializa nas realizações do trabalhador, na autoestima de quem sabe que não está sozinho.

Por isso, convoco cada frentista, cada trabalhador e trabalhadora a enxergar o sindicato não como uma instituição distante, mas como a sua própria extensão na luta diária. Só unidos somos verdadeiramente fortes. Só unidos transformamos a fortaleza da resistência na alavanca de um futuro mais justo. Essa é a nossa missão e a nossa razão de existir.

Eusébio Luis Pinto Neto. Presidente do Sinpospetro-RJ e da Federação Nacional dos Frentistas.