Mappin finalmente paga tudo a ex-funcionários

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O Mappin foi um símbolo de São Paulo, da pujança paulistana. Localizada em frente ao Teatro Municipal, a loja abasteceu gerações de paulistanos e mesmo moradores de outras cidades. No auge, chegou a ter 11 mil empregados. Seus reclames de TV e anúncios de página inteira faziam a alegria dos departamentos comerciais da mídia.

Mas o Mappin decaiu e, de crise em crise, bateu na sarjeta, a ponto de ter sua falência decretada em 1999. As vítimas principais foram os trabalhadores, que não receberam as verbas rescisórias. A luta pra receber os direitos vem desde então. E o desfecho ocorreu nesta segunda (17), quando um grupo de 50 ex-empregados recebeu R$ 2.234 mil de verbas e multas.

A luta pra garantir o pagamento teve inúmeros lances, como protestos, passeatas, acampamentos, além da batalha judicial.

Dessa mobilização, emergiu a nova liderança da categoria, Ricardo Patah, que hoje preside do Sindicato e também a UGT. Também dirigente da categoria, Edson Ramos diz: “No início ninguém acreditava que a gente conseguiria. Mas o resultado veio agora com a entrega desses cheques.

Trabalhador recebe cheque referente a dívidas trabalhistas

Histórico – Patah conta que, um ano após a falência, em 1999, cerca de 4,5 mil trabalhadores receberam os direitos. Esses 50 de agora são remanescentes. Andrea Toledo, que foi auxiliar de compra, relata: “Procurei não contar com esse dinheiro e toquei a vida, casei, tive filhos e fiz faculdade”. Para Adriana Alves de Brito – que entrou na empresa com 17 anos – o Mappin era referência. Ela diz: “Nunca fiquei desamparada pelo Sindicato”. Segundo o então empacotador Paulo do Nascimento, o Sindicato fez bem seu trabalho – “o problema é a lentidão judiciária”.

Ricardo Patah cita outros personagens relevantes nessa jornada, como o juiz Luiz Beethoven Giffoni Fonseca e o então presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP), Floriano Corrêa Vaz de Lima, falecido recentemente. Luiz Antonio de Medeiros, então presidente da Força Sindical, atuou na linha de frente, também.

Épico – A luta no Mappin é um épico do sindicalismo moderno brasileiro, pela força da marca, prestígio da empresa, número de empregados e valores. Só nesta derradeira leva, foram pagos R$ 2,3 milhões. Mas os frutos da luta vão além. Ricardo Patah observa que a lei de recuperação judicial nasceu da experiência no Mappin.

A mobilização também mexeu com a mídia. Patah lembra que o então poderoso Diário Popular cobria regularmente as ações sindicais e judiciais por meio da repórter Dalva Ueharo.

Num momento em que a extrema direita ataca o sindicalismo e os trabalhadores, Ricardo Patah chama atenção para a importância da ação sindical. Ele afirma: “O Sindicato nunca fraquejou. Os trabalhadores não desistiram. A Justiça, apesar dos recursos e manobras, acabou por prevalecer”. Ele agradece os apoios recebidos de amplos setores sindicais e populares. E arremata: “Sempre é tempo de fazer justiça”.

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