A Pátria de chuteiras – por Josinaldo Barros

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O escritor Nelson Rodrigues é autor da frase histórica: “A Seleção é a Pátria de chuteiras”. Ou seja, o selecionado canarinho nos une de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

Nossa Pátria de chuteiras entra em campo amanhã, quinta, contra a Sérvia. Eu estou otimista. Acho o grupo escolhido muito bom, menos um ou outro que está fora de forma e com idade ultrapassada.

Muito já se escreveu sobre o futebol. Um dos aspectos abordados é sua força na ascensão – garotos pobres, negros, mulatos e mestiços em geral conseguem subir na escala social e econômica, ajudando também a melhorar a vida de familiares e de suas comunidades.

Nenhum País do mundo consegue produzir tantos bons jogadores quanto o Brasil. Somos um celeiro de craques e só não tornamos o futebol um negócio com escala e amplos ganhos para a sociedade porque a cartolagem atrapalha.

Mas o futebol não é só esporte ou negócio. Nosso futebol também expressa a cultura nacional e o jeito típico e criativo do brasileiro. Didi criou a folha-seca, um chute que fazia a bola descrever uma curva fatal e balançar a rede. Garrincha universalizou o drible em sequência. Pelé escreveu a mais brilhante página do mundo da bola, com suas jogadas impressionantes, bicicletas e mais de 1.200 gols.

Carretilha, drible da vaca, chapéu, lençol, elástico, caneta, chaleira, pelada, matador, cabeça de bagre e tantas outras expressões nosso futebol legou para os brasileiros. E ensinamentos criativos. Por exemplo: bola pro mato que o jogo é de campeonato.

Há um rico folclore acerca do futebol. O técnico mais folclórico da nossa história foi o Neném Prancha, do Olaria, no Rio. Contam dele que o time não marcava gol e decidiu contratar um centroavante matador. Um jogo, dois jogos, três jogos, e nada de gol. O atleta entrou em crise e foi procurar o técnico.

A história: – “Seu Neném, eu tô jogando muito isolado lá na frente. – Mas por que, meu filho? – Porque o meio-campo não me lança a bola. – Mas você pede? – Peço, seu Neném? – E ainda assim continua isolado? – Sim, senhor”. – Peraí, meu filho, você pede a bola ou se desloca? – Não, eu peço”. E Neném tascou: – “Meu filho. É assim: quem pede recebe, mas quem desloca tem preferência”.

Na nossa vida também é assim. Não basta pedir. É preciso se deslocar, porque quem se desloca (ou seja, vai à luta) tem preferência.

Sucesso à nossa Seleção. Tenho fé que vamos trazer essa Taça pra casa.

DIA 20 – Domingo foi o Dia da Consciência Negra. Observo que entre os maiores do futebol brasileiro estão os mulatos e negros: Artur Friendereich, Leônidas, Carlos Alberto, Zizinho, Didi, Dener, Pelé, Ronaldo Nazário, Ronaldinho Gaúcho e tantos outros. O que eles tiveram? Tiveram chance. Eu digo: dê chance e apoio ao brasileiro que este País vira uma potência em poucos anos.

Josinaldo José de Barros (Cabeça)
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.
Email – josinaldo@metalurgico.org.br
Site – www.metalurgico.org.br

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Josinaldo - Cabeça
Josinaldo - Cabeça
Josinaldo José de Barros (Cabeça), presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região Email - josinaldo@metalurgico.org.br

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