Trabalho e renda – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

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O grande problema nacional é a concentração de renda. Poucos com muito e muitos com pouco. Os ricos são donos do dinheiro, terras, bancos, da mídia e atuam como patrões do Legislativo e do Executivo.

A elite mandante tem outro defeito grave: ela é submissa aos negócios estrangeiros, principalmente aos dos Estados Unidos. O grande capital estrangeiro sempre tenta subjugar os interesses do povo.

A questão é antiga. Na época da Coroa, Portugal sufocava nossa economia a fim de pagar a dívida com a Inglaterra. O brasileiro (e os escravos africanos) se matava nas lavras. Mas a riqueza ia quase toda para Portugal. Basta lembrar a “Lei da Derrama” – um aumento brutal do imposto sobre o ouro, que provocou a Inconfidência Mineira.

Em 1953, Getúlio Vargas criou a Petrobras. Porém, a luta foi dura. Em 1948, o presidente Dutra havia tentado oficializar um núcleo energético, mas com a participação das petroleiras estrangeiras. Evidente que o petróleo a ser extraído pelas gigantes do setor iria beneficiar as potências.

Outro problema concentrador de renda é a remessa de lucros. Em 1962, o presidente João Goulart conseguiu aprovar a lei que limitava a remessa das multinacionais às suas matrizes. As multis e a elite local reagiram. Logo depois, essas forças fomentaram o golpe de Estado que derrubou Jango e impôs a ditadura.

Na Constituinte de 1988, havia duas propostas quanto ao controle das nossas riquezas. Uma propunha proteger a empresa nacional; outra, nacionalizar o subsolo. O setor progressista conseguiu fixar o princípio do papel social da propriedade. Mas esse princípio não avançou.

Se a Câmara e o Senado votam contra medidas que protegem a economia nacional ou visam distribuir a renda de forma mais justa, fica difícil combater a concentração de renda.

Mas existe alguma força que batalha e garante alguma distribuição da renda? Existe. Essa força é o movimento sindical. E essa luta tem várias formas.

A forma clássica é obter aumento real nas campanhas salariais – e isso temos conseguido nas negociações. Também há os acordos para pagar PLR – Participação nos Lucros e/ou Resultados da empresa. Nesse quesito, nosso Sindicato tem obtido êxitos. Tem mais.

Salário mínimo – Desde o primeiro governo Lula, conseguimos uma política para repor o valor do mínimo. Hoje, essa recomposição está na casa dos 80%. Teríamos dobrado o salário mínimo se Temer e Bolsonaro não tivessem sabotado essa política.

IR – Desde 1º de janeiro, quem ganha até R$ 5 mil não sofre mais desconto do imposto de renda no salário. Quem recebe R$ 5 mil terá economia anual de R$ 4.100,00. Essa é uma forma concreta de distribuir renda.

Eleições – Mas podemos avançar mais. Basta separar o joio do trigo. Rico vota em rico. Já o trabalhador deve votar em quem valoriza o trabalho humano.

Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.