Desde 2015, informa o Dieese, 638 Municípios ficaram sem agência bancária, deixando a descoberto 6,9 milhões de pessoas. Hoje, 2.649 Municípios não têm agências.
Sindicato – A Folha Bancária, de fevereiro, do Sindicato dos Bancários e Financiários de SP, denunciava que, desde 2015, os bancos fecharam, em média, 45 agências por mês.
Presidente – “O Sindicato luta faz anos contra o fechamento de agências. É positivo ver que veículos da grande mídia se interessam pela pauta, expondo as consequências lesivas para a sociedade”, afirma a presidente do Sindicato em SP, Neiva Ribeiro.
Facão – Entre 2015 e 2024, a categoria caiu de 504.345 mil trabalhadores para 424.021 mil. Menos 80.324 empregos.
Segundo a dirigente, “quando postos de trabalho são extintos, bancários de outras unidades precisam absorver a demanda das agências fechadas, a clientela, principalmente idosos, deixa de contar com o atendimento presencial, o comércio e a economia local são afetados e os clientes ficam com o atendimento precarizado, inclusive mais suscetíveis a golpes.”
FOLHA – Quem expôs esses números foi a Folha de S. Paulo, em matéria publicada dia 23 de março, informa o Sindicato dos Bancários (CUT). A entidade engloba a Capital e mais 16 Municípios da Grande São Paulo.
Entre 2015 e 2025, 1.364 agências bancárias tiveram suas atividades encerradas, queda de 48% no número de unidades.
Digitalização – A Febraban alegou à Folha de S.Paulo que os bancos estão adequando sua estrutura à nova realidade do setor, na qual o consumidor prefere os canais digitais. Porém, mesmo que 75% das operações bancárias em 2024 tenham sido pelo celular – a própria reportagem da Folha enfatiza que muitas transações ainda são presenciais. Em 2024, 27% dos pagamentos de contas e 14% das contratações de investimento foram realizadas nos canais físicos, aponta a Febraban.
Na contramão da alegada preferência pelos canais digitais, existem ainda serviços cujo volume nas agências aumentou na comparação entre 2024 e 2025. A contratação de crédito subiu 11%; a de seguros cresceu 6%.
“Além da questão de pessoas que não possuem boa conexão com a internet, o atendimento presencial é a opção escolhida pelo cliente para a contratação de um serviço mais complexo ou que envolva valores mais elevados. Quando algo não vai bem, quando é necessária uma explicação clara, ou quando o serviço contratado é de alto valor, uma relação próxima entre bancário e cliente, é insubstituível”, enfatiza presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo.
Presencial – Segundo a Folha de S.Paulo, para além da redução no número de agências como forma de cortar custos, “os bancos têm preferido abrir pontos de atendimento mais especializados, a fim de atrair a parcela da população que tem investimentos e faz negócios rentáveis”.
“A própria estratégia dos bancos de abrir unidades focadas em clientes de alta renda, mostra que o atendimento presencial ainda é importante e desejado pelos clientes. Porém, os bancos – que operam como concessões públicas e deveriam garantir atendimento pra toda a população – estão optando por maximizar os lucros fechando agências e expulsando das unidades abertas os clientes que não são de alta renda”, critica a presidente do Sindicato.
Fintechs avançam – Enquanto bancos fecham agências e desempregam, cooperativas de crédito e fintechs avançam. Entre 2015 e 2025, o número de pontos de atendimento de cooperativas saltou de 4.470 para 9.822, alta de 120%. O número de funcionários subiu de 54.995 em 2015 pra 122.196 em 2024 – mais 122,4%.
Em relação às fintechs, o número de empresas autorizadas pelo Banco Central, saltou de uma em 2016 pra 330 em 2025. O número total de fintechs no Brasil saltou 77% desde 2020, com mais de duas mil empresas no setor.
“Enquanto bancos fecham agências e cortam empregos; cooperativas e fintechs ampliam presença e absorvem trabalhadores, que deixam de ser bancários e, por consequência, recebem menos e perdem direitos. Defendemos uma regulação do sistema financeiro que pra estas empresas sigam as normas exigidas dos bancos, em especial na esfera trabalhista, com a mesma remuneração e direitos da nossa categoria”, observa a presidente Neiva.
“Os bancos devem cumprir sua função social, deixando de fechar agências e cortar empregos, para assegurar atendimento de qualidade à população e condições de trabalho adequadas”, conclui Neiva Ribeiro.
MAIS – Folha de São Paulo www1.folha.uol.com.br









