Terça, 4, a Agência Sindical entrevistou, na sede do Seesp, Murilo Pinheiro, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.
A motivação da entrevista é o artigo publicado pelo presidente, dia 28, no qual analisa os recorrentes problemas em trens e metrôs de São Paulo. O sistema, somado, transporta seis milhões de pessoas em dias de semana. Nesta terça, os funcionários das linhas 11, 12 e 13 da CPTM privatizada estavam em greve.
Murilo é crítico das privatizações. Ele diz: “A população só perdeu com o afastamento do Estado da responsabilidade em fornecer energia, água e transporte aos cidadãos”. O processo de privatizações no Estado foi aprofundado pelo atual governador, Tarcísio de Freitas, eleito na onda bolsonarista de 2022, quase sem conhecer o Estado de São Paulo.
“Transporte é dever do Estado e direito do cidadão”, reforça Murilo Pinheiro, que aponta dois problemas básicos pós-privatizações. Para ele, “a fonte dos problemas está ausência do Estado na gestão do sistema de transportes sobre trilhos e também na redução da presença da engenharia, com suas múltiplas atribuições”. A carência de profissionais mais experientes, que foram trocados, é outro problema real.
O dirigente lembra que “nenhum sistema de transporte funciona sem planejamento, e, nesse caso, a ausência da engenharia é fatal”. Além do planejamento precário na empresa que arrematou as linhas da CPTM, Murilo Pinheiro cita outros setores da engenharia que deveriam ser valorizados no transporte sobre trilhos. “Evidente que falta engenharia de segurança, de manutenção e outras especialidades”. O acidente do dia 23, com início de incêndio em um vagão e pânico dos usuários, decorreu de sobrecarga elétrica.
Experiência – Na busca de lucro a qualquer custo, a Trivia demitiu funcionários experientes e contratou inexperientes. Ou seja, sem planejamento efetivo, sem manutenção adequada e com um quadro precarizado de pessoal, não surpreende a sequência de paralisações e outras intercorrências. Murilo Pinheiro também ressalta prejuízos econômicos. “As constantes intercorrências nas linhas impactam a economia, especialmente o comércio, que acaba por assumir as perdas com os atrasos e desfalques de funcionários”, ele comenta.
TRT – Até a tarde desta terça prevalecia a decisão judicial determinando 80% dos empregados nas estações em horário de pico. O Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo fixou multa diária de R$ 400 mil ao Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil (STEFZCB), caso a decisão não fosse cumprida.









