Educação para construir o futuro – Murilo Pinheiro

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O desenvolvimento que se almeja para o País só será alcançado com ensino de qualidade, da infância à universidade, como defende o projeto “Cresce Brasil”.  Nesse contexto, ao se comemorar o Dia do Professor, é fundamental lembrar que valorizar quem ensina é condição essencial para formar as novas gerações.

Um projeto nacional de desenvolvimento pressupõe crescimento econômico, infraestrutura, inovação, indústria competitiva, produção sustentável em todos os setores com valor agregado e, claro, a distribuição da riqueza com geração de empregos de qualidade e a garantia de condições de vida dignas para a população.

Contemplar essa pauta e também a inserção soberana do País na geopolítica e na economia globais exige inúmeras condições, entre elas profissionais qualificados, capazes de dominar novas tecnologias, encontrar soluções para problemas complexos e responder aos desafios sociais e ambientais.

Nesse contexto, a engenharia tem papel estratégico, como aponta o projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, iniciativa da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). Em sua edição de 2026, a publicação apresenta, entre outras propostas, caminhos para enfrentar o desafio de garantir a formação de mais profissionais, com qualidade e diversidade.

Essa tarefa, no entanto, não começa na universidade. É preciso assegurar o aprendizado de qualidade a crianças e jovens, incluindo matemática, física, química, biologia, linguagem e também as humanidades, mas, simultaneamente, estimular a curiosidade, a experimentação, o raciocínio crítico e a capacidade de solucionar problemas. Ciência e tecnologia precisam fazer parte do universo dos estudantes desde cedo, despertando o interesse pela descoberta e pela transformação da realidade.

Também é fundamental aproximar escolas, universidades, institutos de pesquisa e empresas, ampliando o contato dos estudantes com projetos, experiências e problemas concretos. Esse caminho pode despertar vocações e mostrar aos jovens que ciência e engenharia não são conhecimentos distantes da vida cotidiana, mas instrumentos para melhorar cidades, produzir energia, preservar o meio ambiente, desenvolver a indústria e elevar a qualidade de vida das pessoas.

É urgente superar o chamado “funil” da formação. Muitos estudantes chegam ao ensino superior com dificuldades acumuladas ao longo da trajetória escolar e acabam abandonando seus cursos, contribuindo para os altos índices de evasão nas engenharias.

É necessário ainda avançar na implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a engenharia, fortalecer a aprendizagem baseada em projetos, aproximar teoria e prática e assegurar padrões adequados de qualidade num sistema de ensino ainda marcado por enormes desigualdades entre instituições.

Finalmente, o ritmo cada vez mais acelerado das transformações tecnológicas exige atualização permanente. Assim, a educação continuada e a requalificação profissional ao longo da vida precisam ser tratadas como parte de uma política estratégica para o desenvolvimento.

Nada disso será possível, contudo, sem a valorização dos professores, o que inclui remuneração digna, boas condições de trabalho, formação continuada e infraestrutura adequada para que possam cumprir sua missão. Da educação básica à universidade, são esses profissionais que formam as novas gerações de engenheiros, cientistas, pesquisadores e trabalhadores de todas as áreas preparados para os desafios deste século.

Que neste 15 de outubro, quando se celebra o Dia do Professor, governantes e legisladores, atuais e futuros, tenham em mente a crucial importância da educação e trabalhem para aprimorá-la.

Murilo Pinheiro. Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo e da Federação Nacional da categoria – FNE.