Câmara decide destino final da Eletrobras

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“Todos hoje na Eletrobras são CLT. A tendência, com a privatização, é enxugar e demitir, porque o setor privado quer o máximo de lucros”

A MP do Apagão, aprovada pelo Senado na quinta, 17, retorna à apreciação da Câmara dos Deputados. O período de debates, ajustes e votação deve avançar pelos próximos 15 dias. Mas não há grandes expectativas de mudança devido à forte hegemonia governista na Casa.

Quem faz a avaliação é Murilo Pinheiro, presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de SP e Federação Nacional da categoria (FNE). Como líder de classe, ele aponta ameaças ao emprego. “Todos hoje na Eletrobras são CLT. A tendência, com a privatização, é enxugar e demitir, porque o setor privado quer o máximo de lucros”, afirma. A terceirização também deve avançar.

Câmara decide destino final da Eletrobras
Murilo Pinheiro, presidente da Federação dos Engenheiros, entrevistado por João Franzin

Maior geradora de energia da América Latina, a Eletrobras, que compõe um sistema eficiente e integrado nacional, há tempos perde pedaços. Na atual privatização, também se vão usinas, transmissoras e outros ativos. Os impactos desse desmanche serão reais. “O aumento no custo da energia, seja doméstica ou para empresas, é consequência”, diz Murilo Pinheiro.

A votação da privatização da Eletrobras na quinta foi precedida de forte mobilização das entidades de classe, especialmente de eletricitários e engenheiros. Mas isso não sensibilizou a maioria (42 votos a favor e 37 contrários). Nas palavras do dirigente, “o País abre mão de uma empresa forte e vibrante” e cai na insegurança energética.

Caso a privatização da Eletrobras se consuma, haverá tomada de providências em várias frentes. Espera-se que o edital, por exemplo, preveja obrigatoriedade de investimentos. Em outras privatizações, embora se previssem investimentos, eles não foram feitos.

Murilo observa a entrada forte de empresas chinesas. “São estatais”, ele diz. Já por aqui o governo entrega o setor energético.

Murilo Pinheiro também comenta a conduta do Congresso Nacional e a imposição de interesses eleitorais, que deveriam ser deixados para 2022. “Vejo falta de empenho para enfrentar questões reais e urgentes, de interesse do povo e da Nação”, ele diz.

Acesse – www.fne.org.br

 

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