Mulher presidirá Contag pela primeira vez

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Seis décadas após sua fundação, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag) terá pela primeira vez uma presidente mulher. A baiana Vânia Marques Pinto encabeça a chapa única para a eleição que ocorrerá durante o 14º Congresso Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, em Luiziânia (GO), dias 1º, 2 e 3 de abril.

A futura presidente da Confederação tem trajetória sólida nos campos sindical e acadêmico. É graduada em Pedagogia da Terra (Uneb) e mestre em Educação do Campo (UFRB). Conheceu o movimento sindical em um acampamento pela reforma agrária, em 2004, e desde então ocupou cargos em entidades como o Sindicato Municipal de Iraquara (BA), a Fetag-BA e a CTB. Na Contag, é a atual Secretária de Política Agrícola.

Vânia falou à Agência Sindical.

Principais trechos:

Mulheres – Essa conquista é fruto de uma luta antiga, que passa pela adoção, em 2017, da paridade de gênero como norma para a diretoria. E não se trata apenas da representação feminina. Hoje a contribuição financeira das mulheres para o Sistema Contag é de 60%. Também temos muitas companheiras em Sindicatos e na agricultura familiar. Nada mais justo que a gente também esteja em espaços estratégicos de poder, tratando das políticas necessárias para o campo.

Unidade – Estamos passando no Brasil e no mundo por um avanço muito grande da extrema direita, com ideias contra a classe trabalhadora. Por isso, precisamos estar unidos pra fortalecer ainda mais o movimento sindical e fazer uma boa representação da agricultura familiar. Foi esse sentimento que nos ajudou a construir a unidade na Contag, com chapa única para nosso Congresso.

Reconstrução – Este é um momento de reconstrução dos espaços de diálogo, participação social e de várias políticas públicas, principalmente para nós do campo. Queremos fortalecer o Sistema Contag, e pra isso é preciso investir no trabalho de base. Através de nossos quase quatro mil Sindicatos e 27 Federações, precisamos dialogar diretamente com os agricultores familiares.

Políticas – Uma das nossas demandas é ampliar o orçamento para a agricultura familiar. Precisamos de políticas agrícolas, como crédito, assistência técnica, tecnologia e infraestrutura. São iniciativas que já existem, mas precisam ser fortalecidas pra chegar de modo efetivo no campo. É preciso uma articulação entre os governos municipais, estaduais e federal pra que isso aconteça.

Campo – Não podemos pensar no fortalecimento da agricultura familiar sem falar da sucessão rural. Um número muito grande de jovens que não permanece no campo. E os que ficam às vezes não estão na área de produção de alimentos. Por isso é preciso que eles tenham acesso à terra, ao crédito e à assistência técnica, pra que possam produzir e comercializar seus produtos. Nossa luta é por políticas públicas estruturantes, para que a juventude possa acessá-las e queira permanecer no campo.

MAIS – Site da Contag.

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