A política de retirar dos pobres para dar aos ricos – Eusébio P. Neto

Data:

Compartilhe:

O movimento sindical é um agente de transformação social, logo, deve atuar para assegurar que os mais vulneráveis não sejam esmagados pelo rolo compressor da miséria. A política social do presidente Lula é amplamente criticada, sendo necessário que os dirigentes sindicais trabalhem para dar sustentação ao governo. Apesar de a distribuição de renda favorecer o crescimento econômico, com o aumento da taxa de emprego, consumo e, consequentemente, da produção, há uma pressão para o governo realizar cortes nos benefícios sociais.

Na semana passada, o Congresso devolveu ao governo a medida provisória que propunha alterações nas regras do PIS/COFINS. A MP tinha por objetivo compensar as perdas causadas com a desoneração da folha de pagamento de 17 setores da economia. A desoneração reduziu a contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento de 20% para 4,5%. A ação encurralou a equipe econômica do governo que, agora, estuda uma forma de compensar as perdas.

Os parlamentares, por outro lado, defendem a desvinculação do salário mínimo dos benefícios da Previdência Social, com a redução dos custos com o seguro-desemprego, o BPC (Benefício de Prestação Continuada), o abono salarial e o auxílio-doença. Medidas que têm um impacto direto na classe trabalhadora.

Antes de cortar os benefícios sociais da população mais pobre, o Brasil tem muita coisa para enxugar. O Estado deve deixar de ser a mãe dos mais ricos. Os setores econômicos que criticaram duramente a MP estão entre os maiores beneficiários de isenção fiscal no Brasil. Os pobres são os que mais necessitam da ajuda do Estado.

O estudo realizado pelo Ministério do Desenvolvimento, Assistência Social, Família e Combate à Fome revelou que o programa Bolsa Família reduziu em 91,7% o percentual de crianças na primeira infância que vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza. Como o desenvolvimento socioeconômico do país está diretamente ligado à qualidade de vida das pessoas, cortar os benefícios sociais representa um atraso.

O Brasil é extremamente desigual, portanto, devemos defender os mais vulneráveis e a classe trabalhadora. O Congresso representa o mundo empresarial e trabalha afinco para tirar dinheiro dos pobres e aumentar a fortuna dos riscos.

Eusébio Pinto Neto, Presidente do SINPOSPETRO-RJ e da Federação Nacional dos Frentistas.

Conteúdo Relacionado

Carta aos senadores – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Esta mensagem é para o Astronauta Marcos Pontes, para Mara Gabrilli e Alexandre Giordano. São os três senadores que representam o Estado de São...

Fique longe das Bets – Eusébio Luis Pinto Neto

A vida do trabalhador é dura. As condições de vida deixam a desejar.Mas essa vida é ainda mais dura para aqueles que foram capturados...

A luta continua no Senado – Miguel Torres

A aprovação da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados representa uma das mais importantes conquistas...

Engenharia, um novo ciclo de desenvolvimento – Murilo Pinheiro

Em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas, mudanças geopolíticas, emergência climática e disputas cada vez mais intensas por mercados, recursos e conhecimento, é...

Boa governança – Marcus Pestana

Investimentos temerários voltam a ameaçar a aposentadoria de milhares de trabalhadores e expõem a incapacidade do País de aprender com os próprios escândalos.Assegurar dignidade...