Desorientação – João Guilherme Vargas Netto

Data:

Compartilhe:

A oposição política ao governo Bolsonaro está desorientada porque acredita em sua remoção imediata, sem ter meios para fazê-lo.

De uma maneira voluntarista aposta nas ruas ou em uma conspirata das elites, sem que ambas (as ruas e as elites) se encontrem ou, pelo menos, não trombem entre si.

Ao se desorientar, a oposição política ao governo deixa de fazer aquilo que seria o essencial: aproximar-se da massa de milhões de brasileiros amedrontados pela doença, desempregados e desalentados, sem condições de sobrevivência e com fome, apresentando-se à população como sua porta-voz e criando uma verdadeira barreira oposicionista do povo contra o desgoverno e o golpismo do capitão.

Em vez de denunciar o escorchante aumento do custo de vida e do preço da luz e do gás, ou a catástrofe energética que nos ameaça e de exigir o auxílio emergencial de R$ 600,00 e trabalhar efetivamente para obtê-lo, costeia o alambrado com arremedos de medidas radicais, enfrentadas pelo bolsonarismo com seu arsenal de cooptações, aglomerações, provocações, motociatas ou medidas que podem ter impacto na população pobre, bestializada pela doença (expressão de Aristides Lobo).

Em que medida a desorientação da oposição política ao governo Bolsonaro afeta a direção sindical dos trabalhadores?

Pelo momento conseguiu desviá-la da VIA unitária trilhada pelo movimento desde, pelo menos, maio do ano passado, levando as direções a ceder ao apelo movimentista das ruas (que viola o sentimento amedrontado da população) e as afastando de suas bases organizadas, deixando-as, com raríssimas exceções, desamparadas.

Embora pareça correto e natural, “normalizado” juntamente com meio milhão de mortos, o erro da oposição política ao governo Bolsonaro e sua influência desorientadora na ação sindical custarão caro aos trabalhadores e a todo povo brasileiro, a curto, a médio e a longo prazos.

João Guilherme Vargas Netto – Consultor sindical e membro do Diap.

Clique aqui e leia mais opiniões

João Guilherme
João Guilherme
Consultor sindical e membro do Diap. E-mail joguvane@uol.co.br

Conteúdo Relacionado

Eleições, Joio e Trigo – Eusébio Luis Pinto Neto

Na democracia, o cidadão é livre pra escolher seu partido, seu candidato, sua corrente ideológica. Essa liberdade é sagrada e deve ser respeitada por...

Churchill votaria pela jornada de 40 horas. E a direita brasileira? – Marcos Verlaine

O liberal-conservador britânico defendia o Estado na proteção do trabalho e do bem-estar. Posição distante do neoliberalismo que domina grande parte da direita brasileira.Se...

Se a CLT não cabe no bolso, o problema não é o jovem – Marcos Verlaine

Para reconquistar a juventude, a CLT precisa oferecer renda, direitos, perspectiva e flexibilidade, sem transformar precarização em liberdade nem proteção em privilégio.No artigo “Quando a...

Três categorias – João Guilherme Vargas Netto

Quero escrever sobre três categorias de trabalhadores - comerciários, bancários e metalúrgicos do setor automotivo - grandes e presentes em todo o Brasil, com...

E-mail Whatsapp Telegram Google News Trabalho A crise é da empresa; a conta não pode ser só do trabalhador – Lourival Figueiredo Melo

Quando uma grande empresa entra em crise, uma pergunta quase nunca aparece nos balanços: quem vai pagar a conta?O caso das Casas Bahia colocou...