A sociedade se organiza em classes. A classe rica é a dominante. A classe média fica no espaço do meio. E quem fica na base é a classe trabalhadora. Na prática, a classe dominada, porque a força e o poder se concentram nas mãos do capital, dos ricos.
Cada classe busca defender seus interesses e ampliar poder. A classe média oscila, ora mais afinada com a classe dominante, ora mais identificada com a classe dominada.
Mas todas as classes operam social e politicamente por meio de instrumentos criados pelo processo histórico. Por exemplo, a indústria paulista se organiza em representações classistas, que são os Ciesps, os sindicatos patronais e a Fiesp.
E os trabalhadores? Organizam-se essencialmente conforme a estrutura sindical legal: Sindicatos, Federações, Confederações e Centrais.
Há outras ferramentas de atuação? Há muitas. Por exemplo, os partidos políticos. A classe patronal se aninha em partidos de direita, fazendo deles trincheira de seus interesses, a fim de manter o que já possui ou obter mais poder.
Já os de baixo, ou seja, a classe assalariada (formal e informal), procuram também espaços, diálogo e influência nos partidos de esquerda ou progressistas. Pra quê? Pra defender nossos interesses e também buscar avanços.
Pois bem. Vamos, então, sair do abstrato e ir para o concreto. Um exemplo disso é a audiência da Comissão Especial da Câmara, dia 15, na Força Sindical, em São Paulo. Essa Comissão trata das PECs que visam: a) reduzir a jornada de 44 pra 40 horas semanais; b) acabar com a escala 6×1.
Conseguir realizar a audiência em São Paulo foi uma demonstração de prestígio do sindicalismo. Lá estiveram o relator Léo Prates (Republicanos-BA) e o presidente da Comissão, Alencar Santana (PT-SP). Havia também ministros e outras autoridades.
Mais que reunir autoridades, a audiência buscou unidade na diversidade. E todos disseram que as matérias devem ser aprovadas. O relatório será apresentado até o dia 26 e a votação deve ocorrer dia 27.
Isso quer dizer o quê? Quer dizer que a mobilização sindical continua. Nos dias 26 e 27, sindicalistas de todo o País devem ir a Brasília acompanhar a leitura do relatório e pleitear sua aprovação junto à Câmara Federal.
Trata-se de oportunidade histórica para a classe trabalhadora, para a melhoria nas relações capital-trabalho e para a melhora da qualidade de vida de milhões de brasileiros.
Nossa pauta é justa, a Comissão está empenhada, Lula quer a aprovação das matérias. Ou seja, tem tudo pra dar certo. Porém (e sempre tem um porém), só vamos comemorar a vitória depois de proclamado o resultado oficial. Até lá, torcer; até lá, pressionar; até lá, unir forças; até lá, mobilizar mais companheiros.
Queremos bater esse pênalti e balançar a rede!
Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.









