É urgente reduzir a taxa de juros – Murilo Pinheiro

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Na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 2026, realizada na quarta-feira (28/01), o Banco Central decidiu manter a Selic em estratosféricos 15% ao ano. Com isso, o Brasil segue com a segunda maior taxa básica de juros reais do mundo, atrás apenas da Rússia, como se sabe, envolvida em uma guerra há quatro anos.

A decisão foi unânime, conforme a divulgação oficial, embora o próprio mercado financeiro projete a inflação de 2026 para abaixo dos 4%, portanto dentro da meta estabelecida.

Também como já era esperado, foi sinalizada a redução dos juros a partir de março, mas isso deverá ocorrer em ritmo lento, na melhor das hipóteses chegando a 12% em dezembro próximo. Expectativas de uma taxa abaixo dos dois dígitos ficam para o final de 2027.

Essa situação, que favorece exclusivamente a especulação financeira, segue trazendo prejuízos à economia real, ao bem-estar das pessoas e às contas públicas.

Para o setor produtivo, os juros elevados funcionam como um freio ao investimento, inviabilizando projetos de fôlego em infraestrutura, industrialização e inovação. Isso breca a geração de empregos melhores, com remuneração capaz de elevar significativamente as condições de vida dos trabalhadores.

Essa lógica rentista interfere ainda diretamente no custo de vida ao encarecer o crédito, situação agravada pelo altíssimo spread bancário. Em 2025, a taxa de juros para as famílias ultrapassou os 60% ao ano.

Além disso, juros altos pressionam as contas públicas, já que parte substancial da dívida do governo brasileiro está atrelada à Selic via títulos públicos pós-fixados. Cada ponto percentual a mais significa bilhões em juros pagos pelo Tesouro, dinheiro que poderia ser investido em infraestrutura, saúde, educação ou ciência e tecnologia.

É mais que urgente que a política monetária se integre às reais demandas do País e permita avanços de forma responsável e sustentável, mas com a ousadia necessária para dar um salto decisivo rumo a um futuro melhor. Esta é proposta do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, que em 2026, aos celebrar 20 anos, trará uma nova edição propondo saídas para um novo ciclo de expansão econômica com distribuição de renda e preservação ambiental.

Vamos juntos travar esse debate pelo bem da engenharia e de toda a sociedade.

Murilo Pinheiro. Presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.