Eleição e infantaria – João Franzin

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A disputa eleitoral reflete o mundo real. E o mundo real está polarizado. O povo brasileiro decidiu que a escolha será entre Lula e Bolsonaro.

Estou entre os que querem derrotar Bolsonaro. Trabalho pra isso. Mas não será fácil: o presidente tem núcleo duro, base eleitoral, ativismo nas redes sociais e muito dinheiro.

O pleito ocorre num momento de expansão das redes sociais e crescimento no que diz respeito a conteúdo e forma. Isso, à primeira vista, dá a impressão de que teremos uma eleição manejada pela tecnologia galáctica. Não será.

Essa guerra, como todas as outras de longo prazo, será decidida pela infantaria. Quem colocar mais infantes no território, organizar grupamentos, avançar e recuar na hora certa vai vencer a disputa.

O petismo engajado se ilude com a militância. Mas esses aí já estão convertidos. Pra vencer, será preciso buscar reforços no meio do povão, nas periferias, nas fábricas, nos terminais de transporte, nas estações de trem e metrô, nas igrejas dos cafundós.

O comando da campanha também precisa identificar corporações e ganhar apoios. Exemplos: 1) Professores – O Brasil tem quase três milhões deles e foi Lula quem lhes deu Piso Salarial; 2) Agentes Comunitários de Saúde: cerca de 300 mil – móveis, de casa em casa. Eles são a base do SUS e Lula é defensor do Sistema; 3) Vigilantes – São mais de 500 mil com Carteira (CNV). Eles recebem 30% de Adicional de Risco. Concedido por quem? Por Dilma.

Se o PT quiser ganhar a eleição precisará, mais do que nunca, ser PT. Ou seja, se apoiar na base trabalhadora (os governos petistas geraram mais de 300 mil empregos metalúrgicos; categoria conseguiu aumento real por 13 anos seguidos) – os trabalhadores e suas famílias.

Lula tem todas as condições de ser o grande defensor da família brasileira. Afinal, nos governos petistas o salário mínimo subiu 74% acima do INPC. Mínimo que remunera, entre ativos e inativos, cerca de 40 milhões.

Os aposentados formam um contingente fantástico: Lula precisa falar com essa gente e engajar os idosos em sua campanha.

Cada brasileiro é em potencial um infante, um formador de opinião, um disseminador de mensagens. As mensagens têm que ser pra baixo, rumo à base social.

Falar com essa gente, ouvir essa gente, engajar essa gente, abraçar sua demandas. É isso que a burocracia partidária e da campanha precisa fazer. E já.

João Franzin, jornalista e soldado raso.
www.facebook.com/joao.franzin.1

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João Franzin
João Franzin
Jornalista e coordenador da Agência Sindical

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