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quarta-feira, 5/08/2026
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Fala Wellington, presidente dos Metalúrgicos do ABC

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Montador de produção na Volks, há 25 anos na categoria, Wellington Damasceno é o novo presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, um dos mais fortes dos Sindicatos brasileiros e berço da CUT. O presidente Lula, que já dirigiu o Sindicato e grandes lutas metalúrgicas, nos anos 70, esteve na posse da diretoria, dia 26 de julho.

Para Wellington, as demandas gerais na base do ABC não diferem muito da pauta da classe trabalhadora, onde despontam itens como redução da jornada de trabalho, combate ao assédio, vigilância frente ao aumento dos transtornos mentais, igualdade salarial e de oportunidades para as mulheres. Quanto a Lula, sua mensagem foi sindicaleira: “Devemos fortalecer os Sindicatos e manter a independência das entidades frente aos governos”.

A Agência Sindical entrevistou Wellington. Leia os principais trechos:

Início – “Comecei na Volks por meio do Senai. Dentro da empresa funciona uma unidade do Senai. Comecei como aprendiz”.

Carreira – “Desde 2007, integro a direção do Sindicato. Na época, pela Comissão de Fábrica. Em 2011, fui eleito para o Comitê Sindical. E fui eleito para a Diretoria Efetiva em 2017”. A Diretoria plena é composto por 166 trabalhadores e trabalhadoras.

Ascensão – “Quem almeja a diretoria do Sindicato precisa primeiro ser eleito para o Comitê Sindical. Aí, do Conselho, pode sair candidato à direção ou ao Conselho Fiscal”. Gestão dura três anos e o eleitor vota duas vezes. Voto direto deu 97,47% à diretoria agora presidida por Wellington.

Lula – “O Presidente Lula é da casa. Embora tenhamos uma proximidade histórica com ele, de décadas, Lula enfatizou a necessidade de termos um Sindicato cada vez mais forte e autônomo na hora de reivindicar ao governo ou negociar temas de interesse da classe trabalhadora”.

Base – “Atualmente, o Sindicato conta com uma base de 74 mil trabalhadores. A base é integrada pelos municípios de São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra”.

Emprego – “Avalio que vivemos uma fase estável, com um pequeno aumento no nível de empregos. Lamento que as tarifas impostas por Donald Trump afetem a indústria brasileira. No nosso caso, afetam mais o setor fabricante de máquinas”. A rotatividade da mão de obra está baixa.

Perfil – “O parque fabril da nossa base é amplo e diversificado. Temos aqui fabricantes de máquinas e equipamentos, empresas eletroeletrônicas, estamparia, utensílios domésticos, indústrias de equipamentos para energia eólica, energia e setor aeroespacial. Aqui, fabricamos peças e suprimentos para os aviões Gripen (caças), graças ao acordo de cooperação com a unidade da Saab, em São Bernardo. Ou seja, trabalhamos para quase todos os ramos industriais”.

Salários – “A composição salarial é variada, porque o perfil industrial em nossa base também é heterogêneo. Nas montadoras, onde fazemos acordos coletivos por empresa, o nível salarial é mais alto, acima da média nacional. As demais fábricas seguem a Convenção Coletiva da nossa Federação. No total, nossa base tem cerca de duas mil empresas”.

PLR – “A negociação da Participação nos Lucros e/ou Resultados varia por empresa. A negociação melhora nas empresas onde temos Comitê Sindical. E onde os comitês atuam, representam cerca de 80% dos trabalhadores. Em 2023, por exemplo, fechamos mais de 400 acordos de PLR”.

Jornada – “Cerca de 45% da nossa categoria já cumpre jornada de 40 horas, especialmente nas montadoras e algumas empresas de autopeças. Nas demais, a jornada é de 44 horas. Notamos que temos mais avanços onde existe organização por local de trabalho (OLT). Nesses locais também conseguimos mais ganhos salariais”.

Demanda – “Os metalúrgicos representados por nosso Sindicato, basicamente, têm as mesmas reivindicações do conjunto da classe trabalhadora. Pela ordem: Redução jornada; combate ao assédio e a transtornos mentais derivados do trabalho; Fim do Imposto de Renda na PLR (hoje, por lei da presidente Dilma, a isenção vai até um pouco acima dos R$ 8 mil), porque temos acordos que pagam PLR de R$ 20 mil. O impacto do IR reduz muito a segunda parcela do benefício. A categoria também defende pautas mais gerais, como o combate ao feminicídio e às altas taxas de juros.”

Trabalhadora – “O Sindicato luta pela igualdade salarial e de oportunidades para a mulher, como estabelece Lei do presidente Lula. Também queremos mais trabalhadoras nas lutas sindicais e na diretoria. Hoje, elas representam 18%”.

Sindicalização – “Nossa média está perto de 35%. Onde existe organização por local de trabalho, esse índice aumenta para 55%. Nas montadoras, chegamos a 90% de sindicalizados”.

Lazer – “Quem trabalha merece descanso. Nossos sócios podem utilizar a Colônia de Férias da Federação em Itanhaém e também o Clube de Campo da categoria em Rio Grande da Serra”. As áreas das subsedes também dispõem de espaço para lazer.

Eleições – “Nosso Sindicato e a categoria têm uma história consolidada de participação política. Vamos trabalhar pela reeleição do companheiro Barba, a deputado estadual. A federal, apoiamos o ex-presidente Moisés Selerges e também estamos com o companheiro Vicentinho. A classe trabalhadora tem todo o direito de ampliar sua participação política e representação. Precisamos fazer a disputa pelos espaços institucionais”.

Presidência – “Em outubro, a população vai escolher entre dois projetos para o Brasil. Nós estamos com Lula, por todas as razões. Já estamos fazendo esse debate no chão de fábrica, mostrando os avanços nos governos Lula e seus compromissos com a economia nacional, a classe trabalhadora e a inclusão social”.

Comunicação – “A gente não abre mão do jornal diário, na versão impressa e também na digital. As redes ampliam nossa comunicação e leva para todos os lugares as informações sindicais e nossas demandas. A Tribuna Metalúrgica tem equipe fixa. Para as redes sociais temos uma agência contratada. Também temos assessoria de imprensa própria”.

Ação sindical – “O sindicalismo foi muito prejudicado pela reforma trabalhista implantada por Michel Temer, que agravou demais a situação financeira das entidades. É claro que a precariedade de recursos fragiliza também as ações sindicais e de comunicação com os trabalhadores”.

MAIS – Site do Sindicato dos Metalúrgico do ABC Tribuna Metalúrgica: 4128.4200; assessora de imprensa, Tamara.