21.7 C
São Paulo
sábado, 28/03/2026

Garantir emprego decente, direitos e proteção

Data:

Compartilhe:

A recriação do extinto Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência, será um acerto se os objetivos forem a valorização do trabalho, o esforço real para garantir geração de emprego qualificado, além de saúde e segurança. Usada como mera moeda de troca, será novo mau passo.

Em meio a dificuldades políticas, o governo federal anunciou, na quinta-feira (22/7), a intenção de recriar o Ministério do Trabalho, Emprego e Previdência, que havia sido extinto no início do atual mandato. A medida integraria a reforma do Gabinete, que teve como destaque a nomeação do senador Ciro Nogueira (PP/PI) para a Casa Civil, buscando garantir maior apoio no Congresso.

Contudo, há missão mais relevante e urgente a ser cumprida pela Pasta a ser recuperada e esta deveria ser a meta do governo. Quando da mudança radical e até traumática, representada pelo fim do icônico Ministério do Trabalho, que estava prestes a comemorar 90 anos em 2019, suas tarefas foram transferidas à Economia, onde lamentavelmente não foram realizadas a contento.

Entre elas, obviamente, estava o combate ao desemprego, que segue altíssimo e agravado pela pandemia, atingindo 14,7% no trimestre encerrado em abril último. Juntamente com o esforço de controle da Covid-19 – sobretudo pela vacinação e promoção dos protocolos sanitários –, fazer frente a tal flagelo social deve ser prioridade, levando em conta a premissa básica de valorização do trabalho, condição essencial ao desenvolvimento e para garantir vida digna à população.

E aqui entra a articulação com o conjunto da administração para buscar a atuação ativa do Estado para aquecer a economia. Uma proposta, colocada na mesa pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) por meio do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, é a retomada de obras públicas paralisadas. A medida teria a dupla virtude de promover oportunidades com rapidez e propiciar à população equipamentos e infraestrutura necessária.

Há ainda a necessidade de oferecer qualificação à mão de obra para que essa possa acompanhar as mudanças do sistema produtivo e de serviços e se encaixar nas oportunidades existentes e que surgirem, especialmente no atual cenário de aceleração da digitalização. O chamado “novo normal” certamente se imporá ao mercado de trabalho e é fundamental que haja empenho público competente e sistematizado voltado a essa realidade.

Por fim, porém da mais absoluta importância, inclui-se na agenda de um Ministério do Trabalho atuante e eficaz garantir segurança e saúde ao trabalhador, transformando o atual cenário catastrófico que coloca o Brasil em segundo lugar no G20 em mortalidade no trabalho. Conforme dados do Observatório Digital de Saúde e Segurança do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), entre 2012 e 2020 foram notificados 5, 5 milhões de acidentes, que resultaram em 20.467 mortes.

Neste 27 de julho, quando se comemora o Dia Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, o tema merece ocupar verdadeiramente as preocupações dos mandatários do País, que precisam fortalecer os esforços envidados por valorosos servidores do setor e pela Engenharia de Segurança no Brasil.

Acesse – www.seesp.org.br

Clique aqui e leia mais opiniões

Murilo Pinheiro
Murilo Pinheiro
Murilo Pinheiro é presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) e da Federação Nacional da categoria (FNE)

Conteúdo Relacionado

Política e religião

Quase todo mundo segue uma religião. Quase todo mundo tem uma preferência política. Geralmente, a ligação das pessoas com a religião é constante e...

Salário mínimo – João Guilherme Vargas Netto

Em um País no qual a taxa de mais-valia é 100% (ler com atenção o artigo de Naercio Menezes Filho, no Valor de 20/2/26,...

Sinpro-SP explica a Assistencial

Aprovada de forma democrática nas assembleias dos diversos segmentos da categoria (Sesi, Senai, Senac, Educação Infantil, Educação Básica e Ensino Superior), a Contribuição Assistencial...

Justiça a Fiel Filho

A ditadura no Brasil (1964-1985), autoritária, criminosa, estúpida e sanguinária, perseguiu muitos trabalhadores.Entre suas vítimas está o metalúrgico e militante Manoel Fiel Filho. Trabalhador...

CNTC defende debate sério quanto ao fim da 6×1

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e as entidades sindicais comerciárias e de serviços em todo o País manifestam repúdio às declarações do...