[21:31, 16/02/2026] João Franzin: IR zero é laranja seleta
O brasileiro (creio que também o javanês e o dinamarquês) quer mesmo é escada rolante pro céu. Bacana ir pro céu, dizem, mas será que não dá pra descolar uma escada rolante? E uma limonada no capricho?
Observe: antes da entrada em vigor do imposto de renda zero sobre salários até R$ 5 mil, 61% achavam que seriam beneficiados. Agora, 30% consideram que foram beneficiados. No Nordeste, apenas 23% se sentem contemplados. E somente 15% enxergam aumento real na renda.
Portanto, se o governo pensava numa bala de prata eleitoral, com o IR zero, essa bala corre o risco de virar um petardo calibre 22.
E o sindicalismo? Nós, que pleiteamos o justo benefício, caímos na mesma ilusão. Portanto, a massificação da isenção não pode ir apenas para os terminais de transporte. A ação tem que ter foco, ou seja, dialogar com os setores mais bem remunerados entre os assalariados.
Quem são? Os professores, os médicos, os trabalhadores das multinacionais, os metalúrgicos e químicos das empresas maiores, os bancários, Servidores de médio escalão, os petroleiros e outras categorias cujo salário comece, pelo menos, em R$ 4 mil. E mais alguns, aqui e acolá. Entre esse alguns estão os vigilantes de carro-forte no Estado de São Paulo, cujo Piso está em R$ 6.332,00.
Recomendo que se repita a rodada de informação deste mês e, agora, no próximo pagamento, nos primeiros dias de março. Mas seja uma rodada discreta, informativa, e não festiva. E que as redes sociais da entidade adotem o mesmo tom.
Vale, nessa empreitada, escalar o Dieese, a fim de produzir materiais elucidativos – textos, gráficos, artigos e vídeos.
É possível extrair mais sumo dessa laranja. Mas com os pés no chão, sabendo que a laranja é da seleta.
PS: Obrigado Maria Cristina Tavares, do jornal Valor Econômico.
João Franzin, jornalista da Agência Sindical. – joaofranzin56@gmail.com




