Medidas eleitoreiras não livram Bolsonaro da derrota

Data:

Compartilhe:

Desesperado com a perspectiva de derrota nas eleições de outubro, desenhada recorrentemente nas pesquisas sobre a intenção de votos do eleitorado brasileiro, Jair Bolsonaro tem apelado para encenações dramáticas e medidas demagógicas, com o objetivo de ludibriar o público e reverter o quadro amplamente favorável ao ex-presidente Lula.

É o caso da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada segunda-feira (6) pelo líder da extrema direita e seu Posto Ipiranga, o rentista Paulo Guedes, como a “bala de canhão” para combater a alta dos combustíveis e amortecer a indignação popular. A PEC sugere zerar o ICMS incidente sobre óleo diesel e gás e reduzir o percentual para gasolina e etanol.

O ICMS é um imposto cobrado pelos estados e representa em torno de 70% de suas receitas. O governo promete cobrir o prejuízo, que segundo cálculos do Ministério da Economia ficaria entre R$ 25 bilhões e R$ 50 bilhões até dezembro deste ano, quando cessariam os efeitos da PEC, em análise no Senado.

Mas os governadores não estão seguros disto. Temem novos cortes nos gastos com educação e saúde em decorrência da queda de arrecadação.  Já o governo federal não esclareceu as fontes com que pretende cobrir os prejuízos, tendo acenado até com os recursos da privatização da Eletrobrás, um crime de lesa-pátria que ainda não foi consumado e pode ser detido.

O caráter eleitoreiro da proposta transparece já na data do seu anúncio e também no prazo de validade. Foi feita para durar apenas até o final do ano. Se aprovada será mais uma ferida aberta na lenda do Teto de Gastos e dará pretexto a futuros cortes nos gastos e investimentos públicos.

Os assessores do governo sabem que uma das causas da alta rejeição de Bolsonaro, que pode levar à vitória de Lula ainda no primeiro turno, é a disparada da inflação, que tem hoje na alta desenfreada dos combustíveis a sua principal alavanca, associada ao amargo preço da cesta básica. Ao lado do desemprego e subemprego que afligem em torno de 30 milhões de trabalhadores e trabalhadoras, dos juros altos e da desigualdade, a carestia é o resultado concreto do desgoverno que alimenta a crescente indignação do povo com os rumos da nação.

A PEC eleitoreira anunciada pelo Palácio do Planalto é de eficácia duvidosa e já foi condenada por vários especialistas. O X do problema, que o político neofascista e seu comparsa rentista não ousam tocar, é a política de preços da Petrobras, que traduz uma dolarização feita sob a medida dos interesses de ricos acionistas privados, principalmente estrangeiros.

É compreensível que o senhor Jair Bolsonaro esteja desesperado, uma vez que teme sair do Palácio do Planalto e parar na cadeia em razão dos inúmeros crimes que cometeu. Mas não vai se livrar da derrota com medidas demagógicas e eleitoreiras.

O povo não é bobo. Já percebeu que o presidente governa para os ricos e é o inimigo número um da classe trabalhadora, da qual subtraiu a política de valorização do salário mínimo, o direito a uma aposentadoria decente e garantias previstas na CLT.

Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB.

Conteúdo Relacionado

Sindicalismo se fortalece nas soluções – João Guilherme Vargas Netto

Da assistência ao trabalhador às ações na base, a atuação cotidiana dos dirigentes é decisiva para construir confiança, organização e mobilização.As grandes tarefas sindicais...

O quarto setor – Antônio Augusto de Queiroz

Estudiosos e analistas há tempos alertam para a emergência de um quarto setor - o ilícito - composto por distintas organizações: facções como Primeiro...

A PEC DOS PATRÕES – Sergio Luiz Leite

A mobilização pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada recolocou no centro do debate uma pauta histórica do movimento sindical. A...

Bancos públicos, cabeça de mercado – Paulo Kliass

O processo de privatização da economia brasileira tem início na sequência da transição democrática para superar o período da ditadura militar que se instalou...

Carta aos senadores – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Esta mensagem é para o Astronauta Marcos Pontes, para Mara Gabrilli e Alexandre Giordano. São os três senadores que representam o Estado de São...