O dia, obviamente, tem 24 horas. Mas o Dia do Trabalhador, nas nossas metrópoles, dura menos. Explico.
Em média, na Grande São Paulo, o trabalhador demora duas horas e 43 minutos no transporte público, ida e volta. Se demorar um pouco menos, ainda assim seu dia real terá 22 horas, porque aquelas gastas em deslocamento são improdutivas, cansativas e doentias.
Se a pessoa trabalhar 22 dias num mês, ao final do período terá consumido perto de 66 horas num transporte ruim, lotado e estressante. Quantos anos a saúde da pessoa suporta essa rotina? Por isso, crescem os adoecimentos no trabalho, o burnout, os afastamentos. Em 2025, houve 546.254 afastamentos por transtornos mentais.
A jornada durante o trabalho é quase sempre extenuante. Mas não é só isso. Os adoecimentos ocorrem na espera do ônibus/metrô/trem, na luta corporal pra entrar num desses veículos; no esforço (se for mulher, pior ainda) pra achar um canto minimamente confortável onde ficar; na angústia da espera pela condução, no risco de roubo, furto ou coisa pior.
Esse sistema de transporte, de espera, deslocamento e empurra-empurra segue a lógica no navio negreiro. Danem-se os doentes, os mais frágeis. O importante é despejar a carga humana na estação metrô da Sé, na estação de trens da Luz, no terminal de Itaquera.
Ante tudo isso, e com apenas uma folga semanal, como cobrar uma produtividade padrão Alemanha? Há outras perguntas. Qual o custo pessoal e familiar de tantos afastamentos? Qual o custo econômico para o Estado, as famílias e o próprio setor produtivo?
É evidente que o Brasil não pode mais praticar, impunemente, a escala 6×1 e a jornada de 44 horas. Evidente também que nosso transporte coletivo, com tantas privatizações, só piorou, sacrificando a massa urbana e trabalhadora.
João Franzin. Jornalista da Agência Sindical – joaofranzin56@gmail.com









