Saco de espantos – João Guilherme Vargas Netto

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A expressão Saco de espantos é de Machado de Assis e descreve bem as atitudes do presidente Bolsonaro em relação aos trabalhadores, às relações de trabalho e ao movimento sindical.

Desde o primeiro dia de seu governo e mesmo antes, é uma mistura de desconhecimento, de desprezo e de ojeriza que produz constantemente palavras e atos agressivos e lesivos no mundo do trabalho.

Inaugurou o seu mandato com a extinção do Ministério do Trabalho, não respondeu até hoje à carta institucional das Centrais Sindicais, eliminou o ganho real do salário mínimo, convive com um desemprego aterrador e tem produzido atos capazes de agravar ainda mais a vida dos trabalhadores, desorganizar as relações de trabalho e agredir os Sindicatos.

Deve-se registrar que muitos deles têm tido o apoio, aquiescência e a cumplicidade do Congresso Nacional, contaminado pelo neoliberalismo avassalador.

Um novo capítulo espantoso escreveu-se nos últimos dias com a recriação do Ministério do Trabalho, entregue a um acólito para acomodar no governo um líder do Centrão, sem o reconhecimento formal do erro absurdo da extinção intempestiva.

Não bastasse a motivação politiqueira que está longe de atender às necessidades de criação de empregos, de regularizar as pervertidas relações do trabalho e de reconhecer o papel dos sindicatos, o destino do novo ministério tem prazo de validade menor que de um iogurte, segundo informações da mídia.

As centrais sindicais (que sempre criticaram a extinção), ao mesmo tempo em que avaliam a recriação do ministério devem unitariamente apresentar uma pauta de exigências e de reivindicações que balizem a atuação do novo órgão de governo e se vacinar contra o atordoamento deste novo saco de espantos.

João Guilherme Vargas Netto – Consultor sindical e membro do Diap.

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João Guilherme
João Guilherme
Consultor sindical e membro do Diap. E-mail joguvane@uol.co.br

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