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Socorrer e evitar novas catástrofes

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Colocar o desenvolvimento na pauta eleitoral - Murilo Pinheiro

Murilo Pinheiro é presidente do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) e da Federação Nacional da categoria (FNE)

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Neste momento todos os esforços devem ser direcionados a prestar a ajuda necessária à população do Rio Grande do Sul, vítima das inundações que vêm causando destruição e morte no estado desde a semana passada. Também é urgente preparar o conjunto das cidades brasileiras para enfrentar os cada vez mais frequentes eventos climáticos extremos.

A situação de calamidade do Rio Grande do Sul, causada pelas fortes chuvas que castigam a região desde a semana passada, exige medidas assertivas dos poderes públicos e a solidariedade de todos nós. Até agora, registram-se mais de 80 mortos e quase 300 feridos, além de mais de 100 desaparecidos e milhares de desabrigados, conforme dados da Defesa Civil.

Assim, é urgente prestar o socorro necessário, garantir abrigo e tomar as providências devidas para reconstruir o estado que teve 345 municípios atingidos, inclusive a capital Porto Alegre, onde as águas também subiram, devido à elevação do Rio Guaíba ao maior nível da história.

Ainda que esse episódio implique recordes de precipitação pluvial e diversas situações nunca vistas, não se pode cometer o equívoco de, passada a crise e atendidas as demandas emergenciais, tratá-lo como situação isolada ou rara.

Enfrentando uma crise climática hoje inegável, a humanidade tem uma missão dupla crucial. Por um lado, precisa agir para reduzir o avanço da destruição ambiental, buscar a sustentabilidade na produção econômica e no modo de vida, reduzindo sobretudo emissão de gases de efeito estufa, e preservar os recursos naturais. Já em grande desvantagem na corrida para assegurar sua sobrevivência no planeta, todas as medidas e investimentos nesse sentido precisam ser efetivados o quanto antes.

A outra tarefa colocada é adaptar os espaços urbanos para que façam frente aos eventos climáticos que lamentavelmente serão cada vez mais frequentes, como apontam os estudos em todo o mundo. No Brasil, em que diversas cidades padecem ainda com a precariedade de infraestrutura, com ocupação de áreas de risco, habitações inseguras, desmatamento de morros e encostas, além das falhas na gestão urbana básica, com excesso de impermeabilização e drenagem insuficiente, a questão é certamente mais premente.

Esse desafio integra a nova edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”, intitulada “Cidades inteligentes – Garantir qualidade de vida à população”, a ser lançada em junho. Na publicação, que será entregue aos candidatos nas eleições municipais deste ano, estão propostas que incluem construção de infraestruturas resilientes, promoção e aplicação de sistemas de transporte sustentáveis, gestão eficiente de recursos naturais e desenvolvimento de fontes renováveis de energia.

Com papel de destaque nesse processo, a engenharia oferece o conhecimento técnico e as inovações necessárias para projetar, implementar e gerenciar as soluções necessárias. Contudo, como chama a atenção o capítulo sobre o tema, atingir os resultados necessários exige políticas públicas adequadas, além de fontes de financiamento. Também é fundamental que a sociedade esteja consciente dessa realidade para que cobre governantes e legisladores, e também cumpra com a sua parte para que todos possam viver bem.

Toda a nossa solidariedade ao povo gaúcho, especialmente às famílias enlutadas que perderam seus entes queridos nessa tragédia.

Murilo Pinheiro, Presidente do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo (Seesp) e da Federação Nacional da categoria (FNE).

 

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