Duas leituras – João Guilherme

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Às vezes o excesso de ingredientes (e de ingredientes ruins) azeda o bolo.

Foi o que constataram os leitores da versão impressa de O Globo de domingo (01/02/26) cuja manchete na capa procurando explicar a taxa historicamente baixa de desemprego não a atribuindo somente ao crescimento do PIB, dizia que “do digital à lei, fatores estruturais redesenham o trabalho”.

Para demonstrar a tese a jornalista Mayra Castro, cumprindo a pauta em matéria de página inteira, descreveu a nova dinâmica de um mercado redesenhado com o desemprego estacionado no piso com cinco fatores explicativos.

Diligentemente a jornalista foi ouvir  “especialistas” no assunto e de suas elucubrações resumiu os cinco fatores:

1) Demografia; 2) educação; 3) digitalização; 4) plataformização e 5) regras trabalhistas.

Posso aceitar, com ressalvas, os quatro primeiros apesar da generalidade envolvida neles, mas impugno fortemente o quinto fator – a deforma trabalhista de 2017.

Para minha satisfação o próprio gráfico do desemprego reproduzido no corpo da reportagem desmentia esse fator causal porque sua incidência não afetou a curva alta e horizontal nos governos de Temer e Bolsonaro, passando pela pandemia.

Somente a partir da retomada do crescimento a curva de desemprego cai, obviamente apesar da deforma.

Já que estamos lendo jornais impressos quero destacar no Valor de segunda-feira (02/02/26) o registro dos 90 anos de salário-mínimo no Brasil, pelo artigo do professor João Saboia, artigo que merece ser reproduzido em todos os sistemas de comunicação sindicais.

João Guilherme Vargas Netto. Membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo.