Cenas de terror no filme sobre Bolsonaro

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Alto faturamento para a produtora americana Go UP. Porém, atraso no pagamento para produtoras, calotes nas horas extras dos técnicos brasileiros, más condições de trabalho generalizadas, cortes no elenco e descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre Sindcine e entidades patronais. Na prática, um roteiro de filme de terror.

Esse é o script de “Dark Horse”, a suposta biografia cinematográfica do ex-presidente Jair Bolsonaro.

De custo estimado em R$ 134 milhões, “Dark Horse”, pelo que se sabe no meio audiovisual, sairá mais caro do que produções premiadas, como “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”. As condições se agravam agora com o pedido de dinheiro ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, feito por Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente, para custear a produção.

Facada – Para a cena da suposta facada no então candidato Jair Bolsonaro, em Juiz de Fora (MG), havia previsão de 600 figurantes. Ao final, atuaram cerca de 80 pessoas. A produção também realizou cortes de técnicos e atores, informou Sonia Santana, presidente do Sindcine à Agência Sindical.

O que se sabe é que a Go UP não tem estrutura para uma produção de grande porte. Isso explica, entre outras irregularidades, o fato de ter realizado filmagens dentro de um ambiente hospitalar em funcionamento, o Hospital Ibirapuera, na Zona Sul, com riscos de contaminação.

Ministério – Essas e outras denúncias foram encaminhadas pelo Sindcine à Superintendência Regional do Trabalho no Estado de São Paulo, para fiscalização das condições de trabalho, e à Ancine, agência reguladora do setor. Ambos seguem sem resposta oficial.

A produção, em descumprimento à Convenção Coletiva de Trabalho, não registrou os contratos profissionais no sindicato da categoria. Ou seja, prática ilegal e condições de trabalho sem supervisão.

Pela lei, a produção precisa seguir as normas nacionais fixadas em lei ou em convenção coletiva. O Sindcine chamou as partes e explicou as condições a serem cumpridas. Tudo foi solenemente ignorado. Além da arrogância típica ianque: “É dinheiro americano e vamos fazer do nosso jeito”. Do jeito descrito acima.

Capítulo – A última cena de terror veio à tona na quarta-feira (13), quando o site Intercept revelou o teor dos telefonemas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, tratado como “irmão” pelo senador. O pedido ao banqueiro, hoje preso, para quitar despesas, seria da ordem de R$ 134 milhões.

MAIS – Sindcine. Telefone: (11) 5539.0955 – SPCine. Telefone (11) 3117.3100.