A polêmica dos juros do consignado – Por Artur Bueno de Camargo

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Confesso que ao ler a notícia de que a taxa de correção para empréstimos consignados aos aposentados e pensionistas do INSS seria reduzida de 2,14% para 1,70% ao mês. Embora ainda a tenha considerado alta, já que se trata de um empréstimo em que não há nenhum risco, também achei animadora a iniciativa de buscar uma condição razoável para aqueles que mais precisam: os aposentados e pensionistas que não tem outra renda e que, em sua maioria, buscam empréstimos para cobrir algumas de suas necessidades.

Quando os bancos privados (que demonstraram uma espécie de formação de cartel quando lidaram com o tema) suspenderam os referidos empréstimos, torci muito para que os bancos estatais, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, apoiados financeiramente pelo BNDES, enfrentassem este monopólio financeiro privado ganancioso.
Foto: Ramiro Furquim/Sul21.com.br

Em nome da CNTA, quero repudiar estes banqueiros que, mesmo diante de uma das maiores crises que o país e a sociedade já enfrentaram, não têm o mínimo de sensibilidade humana para renunciar parte de seus exorbitantes lucros em prol de atender as necessidades básicas de grande parte da sociedade brasileira.

Infelizmente, não foi desta vez que o governo decidiu enfrentar os poderosos banqueiros e quebrar este cartel; não vou crucificá-lo por ter negociado uma taxa intermediária de 1,97% ao mês.

Em relação a este limite para o teto no crédito consignado, penso que somente os bancos estatais podem proporcionar um percentual menor de juros, dentro de sua margem possível, porque os bancos privados, com certeza não o farão.

Para finalizar, quero emitir a minha opinião referente à uma matéria em que o Ministro da Previdência, Carlos Lupi, disse que errou ao reduzir o teto dos juros de 2,14% ao mês, passando para 1,70%. Ele se desculpa. Na minha modesta opinião, o Ministro não errou, ao contrário, deu início à prática de uma política com senso de razoabilidade, para corrigir os absurdos praticados pelo setor financeiro.

Artur Bueno de Camargo, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação (CNTA Afins).