Muitas empresas apoiaram a ditadura instalada em abril de 1964. Outras foram além e se associaram ao regime repressivo. É o caso da alemã Volkswagen.

Mas os perseguidos e marcados na lista suja não se intimidaram. Durante anos contaram e recontaram suas histórias e buscaram reparação.

Sabiam que, sozinhos, teriam pouca chance de negociar com a Volks, fazê-la reconhecer a repressão na fábrica e reparar os lesados. Para tanto, buscaram apoio no Ministério Público, em Sindicatos, Centrais e organizações de defesa dos direitos humanos.

Essa epopeia culminou em acordo dia 24 deste mês. Teve idas e vindas e tensões. Mas teve, sobretudo, a obstinada persistência das vítimas e do Ministério Público Federal, do MP Estadual e do Ministério Público do Trabalho.

João Franzin entrevista em live o ex-metalúrgico Expedito e o advogado, dr. Raimundo

LIVE, TRECHOS, PERSONAGENS:

Dia 28 de setembro, a Agência Sindical ouviu essa narrativa por dois personagens da história. O metalúrgico Expedito Soares, reprimido dentro da fábrica e trancafiado numa saleta por 14 dias, e o ex-procurador do MPT, Raimundo Simão de Melo. Expedito, hoje advogado, é vice da Associação Heinrich Plagge – que foi empregado da Volks. Raimundo dedica-se à advocacia.

Duração – A repressão na Volks foi longa, com métodos de infiltração e intimidação. A perseguição a Expedito, demitido sob alegação de justa causa, se deu em 1972. Em 1977, Lúcio Bellantani, há pouco falecido, foi retirado de sua seção debaixo de pancada.

Acordo – É bem estruturado o acordo firmado, via MP, entre a Associação e a montadora, que tinha 42 mil empregados em 1972. A Volks fará reconhecimento oficial do abuso e pedirá desculpas. Também indenizará vítimas ou familiares. Compromete-se ainda a construir um Memorial pra marcar os anos em que, além de fabricar carros e remeter lucros, foi sócia ativa do regime no desrespeito aos direitos humanos.

Documento – Essa narrativa integral você pode assistir ao acessar o link da live. Clique aqui.

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