Brizola e o sindicalismo
Durante sua vida, 82 anos, Leonel de Moura Brizola manteve laços estreitos com a classe trabalhadora e procurou aproximar-se das entidades sindicais. Afinal, ele viera de baixo: empregado doméstico, carregador de malas, metalúrgico e, mais tarde, engenheiro.
Mas tinha uma pedra do meio do caminho. Essa pedra foram os 15 anos e cinco meses de exílio, numa época de comunicações lerdas – jornal brasileiro demorava cerca de cinco dias pra chegar à Europa e aos Estados Unidos.
Uma década e meia de ausência da terra natal, por mais antenado que seja o líder, inevitável que sua visão acerca de aspectos da vida nacional perdesse clareza e precisão.
Leonel Brizola não perdeu a capacidade de ler e entender a realidade nacional e o papel dos Estados Unidos na América do Sul. Porém, quanto a uma particularidade da vida nacional, o sindicalismo, ele não conseguiu se conectar ao que vinha se consolidando.
Voluntarioso, logo que voltou ao País, procurou Lula, no Sindicato do ABC, a nova estrela do sindicalismo nacional. Foi tratado com desdém e ouviu críticas, injustas e despolitizadas, sobre Getúlio Vargas, o totem trabalhista.
Por volta de 1982 (Brizola voltara em meados de 1979), o Jornal do Brasil dava o PTB na liderança dos cariocas, com 16% da preferência. A ditadura, atenta ao potencial trabalhista, tirou o PTB de Brizola, que precisou, às pressas, criar o PDT.
Mas o líder trabalhista não se esqueceu do sindicalismo. No Rio, avançou com Juarez Antunes, histórico presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, cuja usina era uma espécie de ícone para o trabalhismo. Juarez morreu num acidente de carro.
E no Estado de São Paulo? Aqui, Brizola operava com Zé Ibrahim (depois, com a Federação Nacional dos Vigilantes e outras entidades sem maior tradição trabalhista), chegando, em 1989, a discutir uma aliança com Rogério Magri e Luiz Antonio de Medeiros. Mas este falou demais e inviabilizou as tratativas.
Tempos depois, houve reunião na casa de Brizola, no Rio, com Therezinha Zerbini, Zé Ibrahim, Oswaldão (dos Condutores do ABC e tesoureiro nacional da CUT). Oswaldo seria o cabeça da Central trabalhista. Por várias razões, a situação pouco evoluiu. Tempos depois Oswaldo foi assassinado dentro do Sindicato por um suplente de diretoria.
Vale lembrar que, na campanha presidencial de 1989, Brizola teve dificuldades em colocar o sindicalismo como parceiro. Na época, Igreja, CUT, USP e petismo batiam em Brizola, no getulismo e achincalhavam a CLT. Tudo isso, e muito mais (Rede Globo etc.), impediu Leonel de Moura Brizola de construir uma coluna sindical forte, capaz de avançar o trabalhismo em direção à classe trabalhadora de então.
Dia 21 de junho, completaram-se 22 anos da morte de Brizola, o valente patriota que comandou a Rede da Legalidade. Com a Revolução de 30, a Rede foi o segundo e último movimento de resistência popular brasileiro, armado e desarmado.
Brizola se foi e o trabalhismo nunca mais conseguiu retomar o fio da história com a classe trabalhadora. Os erros de Brizola e os acertos dos inimigos do trabalhismo merecem um estudo mais aprofundado do que estas linhas rápidas e rasas.
João Franzin é jornalista, coordenador da Agência Sindical – joaofrabzin56@agenciasindical.com.br – 11. 3159.1961.




