Campanha metalúrgica – Josinaldo Barros

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Pátria de chuteiras
Josinaldo José de Barros (Cabeça), presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região

Nos dois governos Lula e em boa parte da gestão Dilma, os metalúrgicos tiveram 14 anos de aumento salarial. Nos Pisos, alcançamos aumentos maiores. Para a licença-maternidade, que a Constituição fixa em 120 dias, conseguimos seis meses às trabalhadoras de três setores grandes da base metalúrgica.

Foi também um período em que ampliamos bastante os acordos de Participação nos Lucros e/ou Resultados. Em muitas empresas, a PLR havia se transformado, na prática, num 14º salário. Até o governo Dilma, PLR pagava Imposto de Renda. Ela criou um teto e hoje só se recolhe Imposto a partir de R$ 6 mil.

Quando a economia cresce, o trabalhador ganha, a renda na base é mais distribuída, o comércio vende, a indústria repõe estoques e o mercado todo se movimenta. É o chamado ciclo virtuoso.

Pois bem. Os metalúrgicos do Estado começam agora a campanha salarial num ambiente que é o oposto do que descrevi acima. Sexta, dia 3, às 18 horas, tem assembleia no Sindicato e aproveito pra convidar toda a categoria metalúrgica, sejam sindicalizados ou não.

Quando digo que o ambiente é oposto me refiro à recessão prolongada, inflação e também a duros ataques do governo (e do Congresso) aos direitos trabalhistas. Tem também aí a pandemia, que continua, embora menos grave do que semanas atrás. Porém, seu saldo é mais desemprego, mais arrocho, endividamento das famílias e falta de crédito à pequena empresa.

De todo modo, essa é a situação que enfrentaremos na campanha salarial metalúrgica, que não será fácil. Mas nada é fácil na vida do trabalhador.

Espero bom senso do empresariado, até porque ninguém vai conseguir sair sozinho do atoleiro em que o Brasil está enfiado. Defendo que capital e trabalho somem forças, em defesa da democracia, do desenvolvimento e da inclusão social. A campanha salarial é uma oportunidade de colocar em prática esse pacto.

Prefeito – Guarulhos é governada pelo jovem Guti. Ele nasceu em berço de ouro, não sabe o que é o desemprego e a fome de um ser humano. Por isso, talvez, tenha autorizado o decreto de extinção da Proguaru. Se a empresa fechar, a cidade perderá sua zeladoria e mais de 4,5 mil serão demitidos.

Haverá fome entre esses trabalhadores humildes. Peço ao prefeito que reveja seu ato e dialogue com o movimento sindical por uma solução razoável.

O evento ocorreu no formato híbrido, isto é, parte presencial e parte online, sempre respeitando os protocolos sanitários de distanciamento e higienização.

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