22.9 C
São Paulo
quarta-feira, 13/05/2026

Centrais e Anamatra criticam MP 936 que reduz salários em até 100%

Data:

Compartilhe:

O governo anunciou na noite da quarta (1º) mais uma medida provisória, que agravará as dificuldades dos trabalhadores no enfrentamento do novo coronavírus. A MP 936/2020 permite cortar salários e jornadas, autorizando reduções em qualquer percentual, podendo chegar a 100%, com prazo máximo de 90 dias.

Após aprovação do auxílio emergencial de até R$ 1.200,00 para trabalhadores informais e de baixa renda, havia cobrança para o governo adotar proteção aos empregados com Carteira assinada. Porém, a proposta governamental foi recebida com indignação.

As Centrais Sindicais se reuniram nesta quinta (2) e divulgaram Nota contra a Medida. CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB consideraram insuficientes as medidas anunciadas. “A resposta do governo é tímida e indigesta. A MP 936 precisa ser modificada pra atender os interesses dos trabalhadores e até mesmo das empresas”, diz a Nota.

Sindicatos – Presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de SP, Ricardo Patah afirma que a medida precisa de ajustes. Ele diz: “A MP só saiu porque exigimos uma resposta do governo. Mas há pontos que precisam ser modificados, como a questão do acordo individual patrão-empregado. Somos totalmente contra”.

Para a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho, o governo viola a Constituição ao insistir em validar acordos individuais sobre coletivos e discriminar diferentes possibilidades de negociação, conforme a faixa salarial. A Anamatra afirma que a MP afronta a Carta Magna e “aprofunda a insegurança jurídica já decorrente de outras mudanças legislativas recentes”.

“Diferenciar os trabalhadores, pra permitir acordo individual, negando a negociação coletiva, acaso recebam remuneração considerada superior e tenham curso universitário, é negar a força normativa da Constituição e do Direito do Trabalho”, afirma a Anamatra. “A proteção trabalhista, como outras proteções jurídicas, é universal, e não depende do valor do salário do cidadão”, completa.

ADI – O partido Rede Sustentabilidade ingressou no Supremo com Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a 936/2020. O partido solicita imediata revogação dos trechos da medida provisória que determinam redução de jornada de trabalho e salários, além de suspensão de contratos de trabalho, com base em acordos individuais.

“Em momentos de crise como o presente, justifica-se, ainda mais, fortalecer a negociação coletiva, e não seu enfraquecimento, dada a necessária proteção dos direitos na relação trabalhista”, aponta o líder da Rede, senador Randolfe Rodrigues (AP).

NOTA – Clique aqui e leia o documento na íntegra.

Conteúdo Relacionado

Audiência em SP terá Motta e Marinho

Acontece nesta quinta (14), em São Paulo, audiência pública convocada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados, que analisa as Propostas de Emenda à...

Sindicato critica Sabesp pela tragédia em SP

O Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo publica Nota alusiva à explosão ocorrida segunda (11), durante obras na rede de saneamento, no...

Comissão sobre fim da 6×1 se reúne em SP

O Congresso Nacional tem prazos a cumprir. O governo federal tem interesse nas matérias. O movimento sindical tem pressa a fim de evitar atrasos...

Cesta básica aumenta nas 27 capitais

Em 2024, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) firmaram parceria para acompanhamento dos preços...

Assembleia Virtual Nacional pelo fim da 6×1

No dia 13 as Centrais Sindicais farão a Assembleia Virtual Nacional Contra a Escala 6x1, uma das estratégias pela redução da jornada de trabalho...