Crescer e gerar empregos – Por Murilo Pinheiro

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Para além do tradicional marco de 100 dias do novo governo, é importante colocar em marcha o mais rapidamente possível iniciativas que melhorem as condições de vida da população. Protagonismo da engenharia é fundamental nessa tarefa.

Entre embates com representantes do sistema financeiro e um cenário de disputas no Congresso Nacional que colocou em xeque a aprovação de medidas essenciais ao funcionamento do governo federal, deu-se o tradicional marco de 100 dias do atual mandato presidencial completados nesta segunda-feira (10/4). No entanto, ponto de preocupação mais evidente para a população no transcorrer desse período foi o resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, a Pnad Contínua, que indicou crescimento do desemprego no trimestre encerrado em fevereiro último.

Conforme o levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a desocupação no período atingiu 8,6% da força de trabalho ou 9,2 milhões de pessoas, um acréscimo de 483 mil em relação ao trimestre entre setembro e novembro de 2022, quando o desemprego ficou em 8,1%.

Na comparação com um ano atrás, ou seja, o trimestre encerrado em fevereiro de 2022, a situação é significativamente melhor. À época, 11,2%, ou 12 milhões de trabalhadores, amargavam a falta de oportunidade.  Assim, segundo avaliação do próprio IBGE, o resultado recente marcaria um retorno à lógica da sazonalidade, com performance mais positiva no final do ano e expansão da desocupação nos primeiros meses, e não uma piora geral.

Ainda que um otimismo moderado se justifique diante de cenário de possível recuperação do mercado de trabalho para o quadro anterior à pandemia, segue urgente tomar medidas que revertam um panorama que inclui, além da desocupação, a subutilização (levando em conta os subocupados por insuficiência de horas em atividade e os desalentados) que atinge 21,6 milhões de pessoas.

Continuam na pauta emergencial ações que produzam avanço rápido e significativo na geração de empregos formais e com remuneração adequada. Nesse sentido, seguem válidas as propostas da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE) de retomada de obras paralisadas, o que aqueceria a construção civil e toda sua cadeia produtiva, com efeitos benéficos no curto prazo. Igualmente pertinente é o debate sobre a recuperação da indústria nacional, presente na mais recente edição do projeto “Cresce Brasil + Engenharia + Desenvolvimento”.

Sem a reindustrialização nacional, não há como alcançar crescimento sustentável em um país com as características brasileiras. O salto que se almeja nas condições de vida da população e de inserção no mercado global depende inevitavelmente de avanço tecnológico e ganhos significativos de produtividade e competitividade.

Feitos os devidos balanços de erros e acertos, é mais que hora de buscar esses resultados. A engenharia brasileira tem certamente muito a contribuir nessa batalha e está a postos.

Eng. Murilo Pinheiro – Presidente da Federação Nacional dos Engenheiros e do Sindicato paulista.

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