Emprego, renda, eleição – João Franzin

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Não tenho base sólida no que diz respeito à ciência econômica (que não é lá muito científica). Mas observo os fatos, tento juntar as pontas e fazer a síntese.

Vejo que, com o avanço da vacinação (lento, é verdade), o mercado já registra retomada em vários setores. Há dúvidas sobre a recuperação dos empregos. As próximas semanas responderão.

Dados do Caged divulgados pela subseção do Dieese, dos Metalúrgicos de Guarulhos. Estado de São Paulo: + 3.581 postos de trabalho gerados em junho; acumulado do ano (janeiro a junho) no Estado: 37.982 vagas criadas. Crescimento de 4,8% com relação ao total de metalúrgicos que havia em dezembro de 2020.

Comércio e serviços – Com o avanço da vacina, e a retomada de diversos setores, vai aumentar a oferta de empregos. O Dia dos Pais será um termômetro. Tenho um amigo que, nas vésperas de feriadões e dias especiais, examina sempre a fotografia da rua 25 de Março, em SP. Se a 25 estiver cheia, é sinal de que a economia (real) vai bem.

Bolsa Família – Bolsonaro anuncia que vai aumentar o valor. Se for um valor “bem maior que o do PT”, ele cria um fato político-eleitoral de peso.

Corrupção – Se não houver um delito flagrante, essa mancha não cola no capitão. A capacidade de desgaste pela CPI ainda está no radar, esperando uma avaliação mais objetiva.

Carteira verde-amarela – O governo manobra pró-criação do emprego precário, sem direitos. Como o País do “é melhor pingar do que secar” receberá?

PLR – De uns três meses para cá, tenho observado valores crescentes nas negociações de Participação (PLR) nas fábricas. O trabalhador atribuirá o ganho ao Sindicato ou ao governo?

8 ANOS – O povo (da padaria) pergunta: se FHC, Lula e Dilma tiveram dois mandatos, por que o capitão teria que se contentar com um só?

A direita faz o que pode, no seu campo, com erros e acertos – o governo está com dinheiro em caixa pra investir nas eleições. Bolsonaro, como sempre fez, ao longo da vida, joga na crise e provoca. A esquerda, sobretudo o segmento petista, mostra desorientação e não consegue descer à base social ou dar um combate efetivo ao bolsonarismo.

Portanto, pra derrotar Bolsonaro e seu projeto, será preciso muito mais que queimar estátua e bater bumbo na Paulista.