Explosões atingem frentistas

0
407

Esta matéria será longa, porque o assunto é grave e complexo. O assunto é a série de explosões por GNV (Gás Natural Veicular) em postos de combustíveis.

O presidente da Fenepospetro, Eusébio Luís Pinto Neto, afirma: “Não é possível aceitar essa situação. Tem trabalhador perdendo a vida. Teve cliente que morreu”. E denuncia: “Os órgãos públicos não inspecionam os postos. O Estado nas mãos de Bolsonaro deixa o trabalhador desprotegido, como que dizendo dane-se!”

Quinta, dia 11, aconteceu explosão no Posto Salinas, em São Pedro da Aldeia, Rio de Janeiro. Até a noite da quinta, o saldo da tragédia era: um trabalhador morto; outro ferido e hospitalizado; e um terceiro internado em estado grave.

Precarização – Faz uns 15 dias que o presidente Eusébio denunciou no site da Federação e em artigo de jornal a precarização do trabalho nos postos. O que essas explosões mostram? Mostram uma precarização selvagem, que expõe a risco a vida dos trabalhadores, dos clientes e até da vizinhança.

Eusébio observa e alerta: “O acidente com gás não dá sinais, como a fumaça, por exemplo, antes do incêndio se alastrar. A explosão acontece e devasta o que estiver perto, sejam seres humanos, sejam equipamentos”.

Sexta de manhã (12), o Sindicato do Rio e as duas outras entidades laborais do Estado previam encontro com representantes patronais. As entidades também já pediram Audiência Pública na Assembleia Legislativa. “Vamos acionar todos os meios, inclusive Ministério Público, Polícia e Ministério Público do Trabalho”, adianta Eusébio. E completa: “O que não pode mais é ficar como está, com gente morrendo ou vítima de acidentes graves”.

Cilindro – Um dos problemas com o GNV é que o cilindro fica no porta-malas. O frentista introduz o gás por um bico na dianteira do carro. Ele abre o capô, levanta e faz a operação. Não tem como ver a situação do cilindro.

O presidente Eusébio critica essa situação. “O frentista não tem como abrir o porta-malas e por acaso verificar algum problema. Se o dono do carro não deixar, danou-se. Muitos cilindros rodam por aí com prazo de validade vencido. Cadê o Detran e as demais autoridades?”.

Muitos desses cilindros podem estar com prazo vencido ou ter avarias, pois acabam comprados em bocas-de-porco ou mesmo em ferros-velhos. Aí, com a pressão o gás, começa a ter vazamento. Disso para o acidente é um passo.

Eusébio sugere seja criado um selo para o parabrisas, avisando que o veículo é movido a GNV. Ele diz: “A explosão do cilindro do carro já faz um estrago enorme. E se explodir o cilindro do posto? Aí roda tudo o que estiver por perto, inclusive moradias ou estabelecimentos comerciais”.

Normas – A Norma Regulamentadora 20 (NR-20) prepara o frentista pra atuar numa profissão perigosa e insalubre, lidando com gasolina, etanol e diesel. Mas a NR é incompleta quanto ao GNV. O presidente da Fenepospetro questiona a pressão do cilindro do posto: “Quem garante que o equipamento está em ordem? Quem garante que o dono não mande aumentar a pressão pra caber mais?”.

Os problemas são muitos. O posto pressiona o frentista pra abastecer o mais rápido, tirando o intervalo necessário que deve haver entre um abastecimento de gás e outro. “Esse ritmo afeta o trabalhador e, evidentemente, é fator que aumenta os riscos de acidentes”.

Manutenção – Posto é local perigoso pra quem trabalha e quem abastece ou frequenta lojas de conveniência. “Durante o abastecimento, o motorista deve estar fora do veículo. O governo e os patrões precisam fazer uma campanha de conscientização sobre isso. O frentista não tem poder de polícia pra tirar do carro o seu proprietário”, lamenta Eusébio.

Ele pede aos proprietários de postos que sejam mais responsáveis e atentos à manutenção. “A vida do frentista é sagrada, assim como a do cliente. Mas não adianta só se lamentar. É preciso prevenir, fortalecer a cultura preventiva e não economizar na manutenção”,  recomenda.

Campanha – O problema gerado pelo GNV requer uma campanha nacional, que mobilize governos, autoridades, empresários, usuários e o próprio trabalhador. Eusébio Neto se indigna: “Nos últimos 15 ou 20 dias, aconteceram três explosões por gás em postos! Algo está errado nisso”.

A ideia da Fenepospetro e dos Sindicatos filiados é fazer uma campanha nacional. No Rio de Janeiro, Eusébio, que preside um dos três Sindicatos laborais, quer falar com  o governador, além dos deputados da Assembleia Legislativa. “O Estado não pode simplesmente lavar as mãos”, ele reclama.

Cartilha – Eusébio Luis Pinto Neto acha necessária uma cartilha explicativa. Mas confeccionar cartilha demanda custos. E a cartilha é algo que leva tempo a ser produzida. A Federação pensa em fazer vídeos curtos e chamativos. Mas tudo isso envolve custos, que não são baixos. “O patronal precisa fazer a parte que lhe cabe”, ele diz.

Senado – De um jeito ou de outro, é preciso agir, fazendo desse problema dos acidentes uma causa nacional. Eusébio entende necessário mobilizar também Câmara Federal e Senado. Argumenta: “Se conseguirmos levar esse debate pra dentro do Congresso, a gente obtém repercussão nacional, alerta a Nação sobre a gravidade do problema, inclusive alertando os próprios clientes, que na imensa maioria das vezes não têm noção do perigo que correm”.

Eusébio esclarece que não torce pelo pior. Mas não pode se omitir. Ele diz: “Enquanto presidente de uma Federação nacional, é meu dever defender a integridade dos trabalhadores, criminalizar a má conduta empresarial e alertar a população”.

“Eu não quero agourar. Mas é real o risco de acontecer um acidente de proporções maiores, que atinja veículos em abastecimento no posto, os donos dos carros ou mesmo a vizinhança. Esse negócio é muito sério!”, adverte. O acidente, em si, já é grave, mas depois ficam as sequelas psicológicas. “Quem acode esse trabalhador?”, ele questiona.

Sindicato – A Convenção Coletiva da categoria contempla seguro por acidente ou de vida. Ajuda, mas não resolve. O presidente Eusébio entende que as empresas precisam ampliar as formas de proteção e apoio aos empregados. “Por que não dar assistência psicológica? Isso é importante pra quem sofre sequelas”, ele argumenta.

Patrões – “Quando falo tudo isso, os patrões sabem muito bem o que estou dizendo. Após as explosões ou incidentes, os clientes fogem do posto. Tem cliente que liga pro Sindicato, pedindo nossa orientação”, conta Eusébio Neto.

DENUNCIE – O Sindicato pode não resolver tudo, mas sempre ajuda, inclusive com assistência jurídica e encaminhamentos ao Cerest e a outros órgãos. Por isso, companheiro(a): nunca deixe de consultar o seu Sindicato, buscar orientação ou mesmo procurar assistência dos advogados da entidade.

Eusébio arremata: “Ou a empresa investe em prevenção ou deixa o empregado sob risco de vida. Ninguém quer correr esse risco. Portanto, denuncie quando o equipamento estiver capenga, não houver EPI ou o seu posto tiver gambiarra. Denuncie ao Sindicato, sempre, urgentemente”.

MAIS – Sites dos Sindicatos e da Fenepospetro.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui