23.2 C
São Paulo
sábado, 16/05/2026

Frentista, emprego, usuário

Data:

Compartilhe:

O Brasil possui cerca de 500 mil trabalhadores em postos de combustíveis, frentista. São homens e mulheres de diferentes faixas etárias, com preparo técnico pra operar bombas, manusear produtos noviços (como o benzeno, que é cancerígeno), cuidar de evitar acidentes, incêndios, contaminações e outras ocorrências lesivas ao próprio trabalhador, estabelecimento e ao cliente.

Além de abastecer, o frentista verifica óleo, examina as condições gerais do veículo, calibra pneu, troca limpadores, checa extintores etc. Ou seja, quando o carro deixa o posto, após o abastecimento, o faz em condições mais seguras, propiciadas pelo frentista zeloso.

O cliente busca informações no posto, é orientado sobre caminhos, locais e pontos para onde queira se dirigir. Ou seja, o frentista ajuda no trânsito da cidade e funciona, não poucas vezes, como guia turístico do cidadão.

Por que falo isso tudo? Porque emenda do deputado Kim Kataguiri (DEM-SP) libera a instalação de bombas automáticas nos postos. E você sabe: entra a máquina sai o homem. Ou seja, desemprego em massa. Mais de 400 mil.

Mas essa não é a única maldade. O self-service obriga o cliente a manusear a bomba com gasolina e outros materiais inflamáveis ou explosivos. O abastecimento pelo próprio usuário vai aumentar as filas nos postos, os atrasos e tumultos. Em locais ermos, enquanto ele abastece, o ladrão chega e assalta.

As Federações nacional e estadual, bem como líderes de Sindicatos da categoria, já expuseram todas essas questões ao deputado KIM, em seu gabinete. Não fizemos qualquer acordo de transição em cinco anos. Nada disso. Queremos que ele retire a emenda que só desemprega pais e mães de família.

O sindicalismo frentista entrega Carta-Aberta em todo o País, ao mesmo tempo em que contata deputados e lideranças políticas, pedindo que ajudem a evitar o desemprego em massa. Vale dizer que boa parte dos dirigentes patronais também não apoia as bombas. Elas são caras e os postos pequenos terão que fechar, pois não conseguirão adquirir os equipamentos. Portanto, ficarão só as grandes redes.

As grandes redes formarão monopólio no abastecimento. E desde quando monopólios baixam preços de produtos e serviços? O que acontece é exatamente o contrário. Quem vai pagar esse preço? Você, cliente, você consumidor, você cidadão brasileiro. Pedimos o seu apoio.

Acesse – www.federacaodosfrentistassp.org.br

Clique aqui e leia mais opiniões

Conteúdo Relacionado

Louvor às mães – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

Cantada pelos poetas, louvada nas canções, retratada na literatura e nas artes plásticas, a mãe é a grande figura humana desde os primórdios da...

Manifestações não costumeiras – João Guilherme Vargas Netto

Em meu texto da semana passada, ao listar as manifestações não costumeiras dos sindicatos nas comemorações do 1º de, não mencionei as manifestações musicais. E...

O valor de quem trabalha e o direito de viver – Amauri Mortágua

Todos os dias, uma força silenciosa move o país: o trabalhador. É dele que nasce a riqueza, não apenas a que aparece nos números,...

100 anos da mesma resistência – Antônio Augusto de Queiroz

A história do movimento sindical no Brasil é, antes de tudo, uma crônica da resistência. Desde os primórdios da organização da classe trabalhadora, no...

Cuidados com o FGTS – Sergio Luiz Leite

A criação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, em 1966, representou uma inflexão importante na regulação das relações de trabalho no Brasil....