O setor de supermercados concentra a segurança no que chama “prevenir perdas”. É errado, pois coloca em primeiro plano a proteção da mercadoria e relaxa os cuidados com funcionários ou clientes.

A crítica é de José Boaventura Santos, presidente da Confederação (CNTV/CUT). A entidade publicou, dia 20, Nota que aponta a responsabilidade direta do Carrefour no assassinato de João Alberto Silveira Freitas, numa de suas unidades, em Porto Alegre. O cliente era negro, o que indica motivação racista.

A Agência Sindical entrevistou Boaventura domingo (22). A vigilância privada responde ao Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal.

PRINCIPAIS TRECHOS:

Contratados – “O setor de supermercados insiste em contratar uma parte de vigilantes legalizados e completar o quadro com policiais, contratados pela empresa de vigilância privada ou por uma terceira. Aí, quando ocorre abuso ou uma tragédia, se pensa logo que foi o vigilante. Mas isso quase nunca ocorre”.

Proteção da mercadoria – “As grandes redes se preocupam com a mercadoria, alegando ‘prevenção das perdas’. No Walmart usavam coletes com a expressão em inglês. Algo como prevenção da mercadoria ou das perdas”.

Tem que mudar – “Nos bancos, numa ação com os Sindicatos da categoria, conseguimos proteger o coletivo. Portas giratórias, divisórias e outros mecanismos protegem agência, bancários e clientes. No comércio, é preciso garantir a segurança das pessoas”.

Formação – “O vigilante profissional tem formação. Isso é normatizado em lei. Há também que se mudar a cultura. Certa vez, em Mato Grosso, o vigilante agrediu um cliente, que depois viemos saber era também vigilante.”

Senado debate – “O Paim (PT-RS) tem nos chamado a debater o racismo, a violência. Importante enfatizar a questão racial ou fazer o debate ideológico. Mas nós temos que apontar falhas e exigir segurança para o coletivo. A mudança pode ser por lei municipal ou constar nas Convenções Coletivas”.

Exemplos que funcionam – “Além dos bancos, há avanços também no setor de condomínios ou shopping, onde não é comum essa pressão em cima do cliente. No supermercado, o cliente só vê o vigilante fardado. Mas tem ali um sistema de câmeras, policiais ou supervisores, que geralmente fazem o serviço sujo. As empresas vendem o policial como apoio”.

Carrefour tem responsabilidade – “O histórico da empresa é ruim. Os casos são muitos, e a própria imprensa já mostrou abusos em Osasco e outros locais. Deixamos claro em nossa Nota que a empresa tem responsabilidade direta, que o Carrefour é o principal responsável por esses crimes, uma vez que contrata serviços de segurança legais e ilegais apenas pra proteger a mercadoria, nunca as pessoas”.

Clique aqui e leia a Nota.

MAIS – Acesse o site da CNTV ou ligue (61) 3321.6143.

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