Louvor às mães – Josinaldo José de Barros (Cabeça)

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Cantada pelos poetas, louvada nas canções, retratada na literatura e nas artes plásticas, a mãe é a grande figura humana desde os primórdios da história.

Já o Dia das Mães é fato recente na história, tem pouco mais de um século. Sua celebração se dá no primeiro domingo de maio, ensejando as reuniões de família e as melhores lembranças, sempre com muito amor, respeito e fraternidade.

Pois assim fez nosso Sindicato, no último dia 9, ao promover, no Clube de Campo, um amoroso, alegre e afetuoso café da manhã com as mães trabalhadoras.

Parabenizo nosso Departamento Feminino pelo êxito do evento. E agradeço nossa diretoria e funcionários pelo empenho em realizar um encontro à altura das homenageadas, ou seja, as mães. E saúdo todas as participantes que lá estiveram.

A data passa, as homenagens vão para algum canto da nossa memória e a vida segue. Mas a vida não segue com justiça para as mulheres, principalmente para as companheiras trabalhadoras e as mães operárias.

O capitalismo selvagem explora ainda mais a trabalhadora, pagando salários baixos e negando oportunidades de ascensão econômica e profissional. Até os acidentes de trabalho aumentaram para as mulheres.

Nesta fase da história humana, quando a igualdade deveria pautar a vida social e econômica, o que se assiste é um rosário de discriminação, misoginia, preconceitos e violência. No topo dessa infâmia, o hediondo crime de feminicídio.

Lembro que neste ano haverá eleições. Lembro para deixar claro que devemos cobrar mais mulheres na política, que as demandas femininas sejam abraçadas pelos partidos, que o fundo partidário seja repartido de forma justa e que as reivindicações das mulheres estejam no primeiro plano das candidaturas, à esquerda, ao centro e à direita.

Hoje em dia, um grande número de mulheres é arrimo de família. Muitas são as chamadas mães solo, ou seja, mulheres que seguram a barra de sustentar e educar os filhos, vencendo enormes sacrifícios. A desagregação social diminuiu em nosso País, mas muitas ainda são as avós que sustentam a prole à base do salário mínimo da aposentadoria, do Bolsa Família ou de outras políticas públicas.

Louvar as mães, reconhecer suas labutas, exaltar a coragem, compreender seu papel social, econômico e cultural – tudo isso é importante. Mas, como dizia o pensador alemão, não basta interpretar o mundo; é preciso transformá-lo em um lugar mais justo, solidário, pacífico e acolhedor.

Nosso Sindicato não tem a pretensão de, sozinho, mudar esse quadro pintado pelas cores fortes da história. Mas temos consciência de que atos como os que realizamos no dia 9 colocam mais um tijolo na construção de um mundo melhor, onde as mães sejam valorizadas e, acima de tudo, respeitadas e amadas.

É importante termos um dia para comemorar, assumir compromissos e refletir sobre essa figura tão importante em nossas vidas, mas as mães precisam ser valorizadas e celebradas todos os dias.

Parabéns a todas as mães, em especial à minha mãe de 94 anos, dona Francisca, pernambucana guerreira!

Josinaldo José de Barros (Cabeça). Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região.