Mortos, feridos e dúvidas em acidente na fábrica de Cabreúva

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Ontem, dia 4, a Agência Sindical entrevistou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Itu e Região. A entidade representa a base de Cabreúva, onde, na sexta, ocorreu explosão em fábrica, deixando mortos e feridos com queimaduras graves. O presidente é Manoel Neres de Souza, operador de máquinas.

“O nome do proprietário da empresa eu não sei, pois sempre tratei com o gerente Mauro ou o Supervisor de Segurança”, conta. Presidente e gerente conversaram logo depois da explosão, que a imprensa noticiou ser em caldeira, mas Manoel afirma que é num forno.

A empresa é a Tex Tarugos para Extrusão, cujo histórico é bem ruim. Ela teve a licença de operação negada pela Cetesb. A rigor, não poderia estar funcionando. A Tex não atendeu às exigências do órgão durante o processo de licenciamento ambiental. Segundo a Cetesb, empresa já foi multada duas vezes, “por funcionamento irregular e ampliação”.

O prefeito foi ao local do acidente. Manoel, presidente do Sindicato, também. De acordo com o sindicalista, “nas vezes em que estivemos na empresa, pareceu que os empregados usavam EPI”. Sobre a Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), afirma: “A papelada no Sindicato indica que funcionava”.

Tex – Empresa recicla e funde alumínio, transformando em tarugos, diz o sindicalista. Fato que, segundo ele, “requer altas temperaturas”. Manoel explica que a fundição era feita em fornos, um dos quais teria explodido.

A empresa fica em Cabreúva, com 47 mil habitantes. O atendimento às vítimas foi feito por Samu e também o Corpo de Bombeiros. Dos socorridos, sete, em estado grave, foram levados a hospitais mais bem equipados. Manoel fala em 11 feridos graves. A Polícia Civil interditou o local, porém, antes houve fiscalização por Agentes do Ministério do Trabalho. O ministro Marinho não fez contato. “Mas telefonou o Douglas, do Ministério”, diz o presidente.

Não havia menores trabalhando. O presidente Manoel Neres de Souza informa que os empregados recebem adicional de insalubridade. Havia negociação com a empresa acerca de eventual terceiro turno “e implantação da jornada 12 por 36”, conta o dirigente.

O Sindicato desconhe emissão de CAT – Comunicação de Acidente de Trabalho – pela empresa. O prazo pra homologações é de 10 dias – “serão feitas no Sindicato”, assegura o presidente. Agentes do Ministério – unidade de Sorocaba – visitaram o local do acidente. O Sindicato também mobilizou o Cerest de Indaiatuba.

Filiado à CUT, o Sindicato tem 23.600 na base. Entidades sindicais da região se prontificaram a ajudar as vítimas. “Nosso Jurídico está à disposição de trabalhadores e parentes das vítimas”, diz Manoel. “Mas precisaremos ter os laudos pra atuar de modo mais efetivo”, observa.

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